Senhor literato, dou-te rosas com odores
Rosas vermelhas, poemas cavalgando
Cravos que não murcham e são uns amores
Dou-te por sobremesa poemas para decifrar.
Prometo falar de corpos bem entrelaçados
Livres de fingimento e cheios de carinhos
O jantar dos literatos comem-se os bocados
Gordos e magros, escorreitos e sem espinhos.
A poesia é de imprevisto, mas é portuguesa
Versos pensados, e quase estruturados
Também há hortaliça da minha gaveta
Para leitura há uns versos por vezes amarelados.
Por exemplo escrever sempre é um prazer
Diariamente expelindo um fogo aprisionado
Depois com calma sempre compro tempo para ler
E certamente ficarei bem mais apaixonado.
Ler nunca foi para mim maçada
Escrever não é só pintar as palavras
A poesia para mim sempre foi amada
Safra amadurecida e seara bem distinta.
Mas claro é preciso também ter juízo
Bom senso e por outros ter respeito
Refrear-se quando isso for preciso
Sempre procurei levar isso a peito!
José Valgode
