Há muitos anos uma família na Quinta de Valgode
Ali em Vouzela, o Clã Valgode trabalhava e vivia
Amanhava a Quinta, comiam o pão, e bebiam o que se pode
Matavam o porco, comiam o caldo e em paz se adormecia.
Eram tempos difíceis, o céu azul era sereno e estrelado
Vieram as estrelas, a lua, e se beijaram ali no rio Vouga
Então um poema foi escrito nas margens do rio Zela
Era a fantasia que vinha de noite a Quinta para se banhar.
E certa noite estrelada vieram até alguns cometas
Para observar uma família e o Vouga como corria
A espuma era branca, havia trutas e o vinho era fresco
Na garganta corria, junto a lareira a família se aquecia.
Os tempos mudaram e Vouzela se tornou uma Vila
Hoje abrem-se as janelas para entrar a voz da rádio
Escuta-se folclore e ouvem-se os seus poetas
Soam bandas de música e até se ouve o fado.
Aqui é Lafões, sua gente é alegre porém suas cicatrizes
Não provocam dores. As vindimas alegram toda a gente
E logo a noite vamos pisar os cachos que estão no lagar
Comem-se figos, canta-se a desgarrada, e bebe-se aguardente.
Na na Quinta de Valgode há o verde, sossego e o espanto
Muita inspiração, e também um naco de toucinho
E talvez haja uma sardinha para se comer a um canto
Existe pouco conforto, mas havia muito amor e carinho.
José Valgode
