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Gala em Toronto espera angariar dois milhões para centro de idosos de língua portuguesa

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A gala de apoio ao futuro centro para idosos de língua portuguesa em Toronto deverá angariar cerca de dois milhões de dólares canadianos (1,27 milhões de euros), anunciou a organização.

A terceira edição da gala Coração de Portugal, realizada no sábado em Vaughan, nos arredores de Toronto, destinou-se a financiar o Magellan Centre, cuja abertura está prevista para novembro de 2027, com 256 camas de cuidados continuados e 57 apartamentos a preços acessíveis.

“Ainda não sabemos o total da angariação principal, sabemos a outra quantia, mas esperamos que, ao fim de tudo, vamos ficar perto de dois milhões de dólares, entre tudo combinado”, afirmou à Lusa o presidente da Magellan Community Charities, Manuel da Costa.

Durante a gala foram anunciados dois donativos anónimos no valor conjunto de 1,25 milhões de dólares canadianos (cerca de 795 mil euros). A estimativa global inclui outras receitas, nomeadamente de um leilão de beneficência, cujo resultado final ainda não foi apurado.

A campanha comunitária procura alcançar 15,2 milhões de dólares canadianos (9,66 milhões de euros). Segundo Manuel da Costa, contabilizadas as novas contribuições, poderão faltar entre 500 mil e um milhão de dólares para atingir a meta.

“Agora vai talvez fazer falta mais meio milhão, um milhão, mas claramente nós nunca podemos parar de angariar fundos, porque temos de pensar nos próximos 50 anos, não é só num ano”, explicou.

O centro de sete pisos, em construção no número 640 da Lansdowne Avenue, numa zona historicamente ligada à comunidade portuguesa, prevê cuidados e atividades adaptados à língua e à cultura dos residentes, incluindo refeições tradicionais.

Manuel da Costa reafirmou a previsão de abertura em novembro de 2027, apesar dos desafios da construção e das consequências financeiras de um eventual atraso.

“O projeto, mais mês, menos mês, tem de abrir no fim de novembro. Se não abrir, há penalidades muito graves e ninguém quer chegar a esse ponto”, advertiu.

O responsável apelou a uma maior participação da comunidade e dos empresários.

“O que precisamos é que a comunidade abrace mais o projeto, que compreenda o que realmente está a ser feito e porque está a ser feito, que não é para nós, é para os idosos que já ajudaram a comunidade”, declarou.

A gala realizou-se três anos após a presença de Marcelo Rebelo de Sousa no lançamento da primeira pedra, em setembro de 2023, ocasião em que o então Presidente da República prometeu sensibilizar o Governo português para apoiar a angariação de fundos.

Questionado sobre eventuais apoios de Portugal, Manuel da Costa disse não existir qualquer compromisso financeiro garantido.

“Não há garantias, nem o Governo pode dar dinheiro diretamente a um projeto destes. Tem de haver alguma fórmula e um processo através do qual o Governo português possa ajudar um pouco”, afirmou.

Também presente, a cônsul-geral de Portugal em Toronto, Ana Luísa Riquito, anunciou a preparação de um projeto conjunto do Consulado e do Centro de Língua Portuguesa da Universidade de Toronto, em representação do Instituto Camões, para dar maior visibilidade ao Magellan em 2027.

A iniciativa prevê apresentações nas universidades de Toronto, York e Toronto Metropolitan University (TMU), para divulgar a necessidade de contratar profissionais bilingues.

“O facto de o Magellan ir ter uma parte das suas instalações sensível à peculiar história da comunidade portuguesa é muito importante, porque isso vai permitir que haja cuidadores, enfermeiros, fisioterapeutas e um conjunto de serviços imprescindíveis associados, em que se fala não só inglês, mas também português”, salientou a diplomata.

Ana Luísa Riquito acrescentou que o projeto é conhecido junto de responsáveis políticos em Portugal, mas não antecipou uma eventual representação oficial na inauguração.

A diretora executiva da agência federal Build Canada Homes, Ana Bailão, que participou no processo de disponibilização do terreno municipal enquanto autarca de Toronto, considerou a construção uma forma de reconhecer os sacrifícios da primeira geração de emigrantes.

“Um projeto desta envergadura tem várias peças num puzzle, e eu fui uma dessas peças, com certeza, mas há muitas outras peças que foram fundamentais”, afirmou à Lusa.

Ana Bailão distinguiu os cuidados continuados, da responsabilidade provincial, da componente de habitação acessível, na qual a agência federal poderá intervir.

“A Build Canada Homes não se envolve na construção disso, é uma responsabilidade mais provincial. Nós envolvemo-nos, sim, na outra parte que também o Magellan tem, que são os apartamentos de habitação a preços mais acessíveis”, explicou.

A líder da oposição oficial no Ontário, Marit Stiles, deputada provincial por Davenport, defendeu o aumento da capacidade de cuidados continuados e melhores condições para as organizações sem fins lucrativos, além de investimento na formação e remuneração dos profissionais.

“Precisamos de construir muito mais e muito mais depressa”, afirmou à Lusa, elogiando a mobilização da comunidade portuguesa.

O deputado federal luso-canadiano Charles Sousa, mestre-de-cerimónias da gala, considerou que o Magellan representa uma conquista para os emigrantes que chegaram ao Canadá nas décadas de 1950, 1960 e 1970.

“Os nossos idosos merecem ter saúde, paz, respeito, carinho”, salientou. Questionado sobre novos apoios federais, não anunciou qualquer verba adicional para o projeto.

O presidente executivo da Sinai Health Foundation, Louis de Melo, orador principal da gala, destacou a importância da dignidade e identidade cultural dos idosos: “A mensagem é o poder do indivíduo e, quando os indivíduos se unem, é o poder da comunidade”.

O empresário Jack Prazeres, um dos fundadores do Magellan, pediu maior envolvimento dos empresários, enquanto José Maria Eustáquio, da comissão de angariação de fundos, indicou que o investimento global poderá atingir 180 milhões de dólares canadianos (114,4 milhões de euros).

“Se ela tivesse a felicidade de ter um centro que fale a nossa língua, a nossa cultura, a nossa culinária, eu acho que ela ia viver mais alguns anos”, afirmou José Maria Eustáquio, referindo-se à mãe, atualmente acolhida noutra instituição.

O fadista Ricardo Ribeiro, responsável pela atuação musical da noite, elogiou o projeto: “É, de facto, uma alegria poder ver que a comunidade se junta para deixar um legado de coisas boas. Nomeadamente de receber os mais velhos, de poder proteger as pessoas”.

A gala decorreu no Universal Event Space, em Vaughan, e incluiu folclore português, um leilão e animação musical da banda The Yorkville Essentials.

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