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50 euros de aumento é bastante significativo para Portugal

© lusa

A senhora ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Maria do Rosário Palma Ramalho, veio há dias a Felgueiras inaugurar uma fábrica que contribui para diversificar a monoindústria do calçado que caracteriza a economia local. Aproveitou a ocasião para anunciar, com a habitual desfaçatez e prosápia que a caracterizam, o aumento de 50 euros do salário mínimo, considerando-o bastante significativo para a realidade portuguesa.

Ora, é precisamente em Portugal que 50 euros não é muito. É em Portugal que se ganha tão mal que não se consegue pagar as rendas, onde os serviços de saúde enfrentam dificuldades cada vez maiores e onde o poder de compra é insuficiente para fazer face ao custo de vida. Não basta ter emprego. É preciso que o trabalho permita viver com dignidade e dispor de poder aquisitivo.

Hoje, no Parlamento, a senhora ministra voltou a insistir na mesma ideia, repetindo a façanha de apresentar os 50 euros como um aumento extraordinariamente significativo para a realidade portuguesa. Rosário Palma Ramalho, que é mais um crucifixo neste Governo, continua a olhar para esta realidade de uma posição muito distante da vida da generalidade dos portugueses.

A senhora ministra é privilegiada, como são muitos daqueles que ocupam os lugares de decisão. O Governo revela, aliás, uma proximidade muito maior com os sectores mais favorecidos do que com o português comum, aquele que trabalha e faz da sua força de trabalho o sustento da economia.

A verdadeira economia faz-se todos os dias por quem trabalha, aqueles que, nas fábricas, constituem a verdadeira força motriz do país, o seu principal motor, quem o faz produzir e verdadeiramente bulir. Mas o trabalhador não é apenas quem produz: é também quem consome, faz circular o dinheiro e dinamiza a actividade económica. Quando se ganha pouco, consome-se pouco. Por isso, melhores salários não são apenas uma questão de justiça para com os trabalhadores, são também uma condição para dinamizar a economia e criar riqueza. Portugal beneficia inequivocamente com salários mais elevados.

Confesso que fico mesmo muito desalentado. Nas prosas que escrevo, fico por vezes mal disposto, tantas são as patranhas, as contradições e a vergonha que há para comentar. Isto diz directamente respeito à vida da maioria dos trabalhadores, que são a maioria dos portugueses.

O que mais me custa é perceber como, apesar de tudo, há quem continue a deixar-se levar por esta gente e por uma legião de comentadores televisivos que, como venho dizendo, não são propriamente comentadores políticos, mas paus-mandados dos partidos que defendem, custe o que custar. São emissários partidários, não analistas independentes.

Mário Adão Magalhães
(Não pratico deliberadamente o chamado Acordo Ortográfico).

Esta publicação é da responsabilidade exclusiva do seu autor.

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