Simetria: mas qual? De um obeso, ou de um cometa?
De um planeta? Simetria talvez de um grande eclipse
O da Terra, Lua e Sol foi êxtase. O Universo é imenso.
Uma barriga grande provoca sombra. Não é Alice?!
No dia do eclipse, os Pirilampos usavam óculos para ver
Pirilampos somos todos nós, ou talvez uns marotos
Vistos aos olhos de quem vive acima do círculo da terra
Cujos habitantes são aos seus olhos meros gafanhotos.
Simetria numa praia, coisa inestética a barriga de um homem
Pois ele se curva, mas ele próprio já não vê os seus pés.
Simetria: mas qual? Pois o humano é aquilo que come
Sem autodomínio, bebe coca cola, e água de lés a lés .
Simetria: Qual, a minha? Sim a conheço, a pura alegria
Quando escrevo, soletro, e até declamo aos gritos
De um puro poema escrito a cada dia a dia
Um poema nato, Narciso, fresco para os aflitos.
A simetria do Sol, a dos Pirilampos olhando com óculos
Observando atentamente o Universo tão magistral
Todos ergueram os olhos, mas poucos honraram o Criador
Alguns Pirilampos diziam: afinal nada de especial.
Simetria das estrelas, do Sol, ou dos sóis vermelhos
Dos Ícaros: eu te vejo narcisa, obesa, no nariz uma argola
No teu quarto, o teu mundo a contemplares os espelhos
Água muito pouca. Mas já agora: vai outra coca-cola?…
José Valgode
