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Trump e o destino do mundo

As próximas eleições nos Estados Unidos da América serão cruciais para os americanos, mas também para o resto do mundo, para a União Europeia e para as Nações Unidas, para as organizações multilaterais e para a relação entre países, para a paz e a estabilidade, para a economia e o clima. São também importantes para as relações bilaterais com Portugal e para as centenas de milhar de portugueses e lusodescendentes que vivem nos EUA. As relações transatlânticas sempre foram um vetor central da política externa portuguesa.

Durante os quatro anos de governação de Donald Trump os equilíbrios geopolíticos foram profundamente alterados, sem que daí os Estados Unidos ganhassem em influência e credibilidade no mundo. Antes pelo contrário. Os velhos aliados, tornaram-se adversários ou mesmo inimigos, como acontece com a União Europeia e o seu desejo de a prejudicar, como é evidente pelo apoio que deu ao Brexit.

Não esconde a sua admiração pelos ditadores, o que só tem contribuído para legitimar os autoritarismos e enfraquecer aqueles que lutam pela democracia, liberdades e direitos humanos. A sua aversão à imigração dá trunfos a todos os que querem manter os migrantes presos nas fronteiras.

Muitos consideram Trump um perigo para a América e para o mundo, como o seu ex-conselheiro para a Segurança Nacional, John Bolton. Na realidade, as tensões aumentaram enormemente nos últimos quatro anos e as sociedades estão mais extremadas, tensas, caóticas e imprevisíveis.

O Presidente candidato gosta da provocação e do palco que isso lhe dá, mas sem perder de vista o seu eleitorado ultraconseravador e supremacista, o que tem atiçado as tensões raciais e deixado o país em pé-de-guerra, polarizado como nunca.

E é também esta América pequenina que perdoa tudo a Trump: as mentiras, a grosseria, a fanfarronice, as alarvidades machistas, o narcisismo doentio, a falta de respeito pela ordem internacional, pelo multilateralismo e pelos acordos. Perdoa até que tenha sugerido aos americanos para injetar desinfetante como cura para o covid.

Trump não tem ética nem moral e está pouco preocupado com a lei e com as conveniências. A fuga descarada aos impostos ou a forma como tem beneficiado as suas empresas, a família e os amigos no exercício do seu cargo, deixam todos incrédulos.

Em vez de fazer a América grande de novo, Trump tem-na diminuído e amesquinhado, facilitando assim o caminho à China na ordem internacional. A sua reeleição no próximo dia 3 de novembro seria catastrófica para o mundo. Só resta esperar que perca…. E que aceite o resultado das eleições.

Paulo Pisco
Deputado do PS

 

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