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Marcelo: não podemos esquecer o 11 de Setembro

© Rui Ochoa

O Presidente da República homenageou hoje as vítimas do 11 de Setembro e encontrou-se com portugueses que participaram nas operações de socorro e de reconstrução e com uma sobrevivente portuguesa, em Nova Iorque.

“Não podemos esquecer”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, logo à chegada ao memorial construído no lugar onde se situavam as Torres Gémeas, que visitou juntamente com o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva.

À sua espera estavam Jimmy Paulo, na ocasião paramédico e estudante de medicina, agora médico, que trouxe os dois filhos, David Simões, bombeiro, Manny Oliveira, presidente de uma organização de bombeiros voluntários de Newark, que o chefe de Estado abraçou um por um, e Elizabeth Alves, que sobreviveu aos atentados de há vinte anos.

De mão dada com Elizabeth, que também veio com o filho, o Presidente da República agradeceu a presença de todos: “Muito obrigado por terem vindo. É uma homenagem que tem de ser feita. Foi feita há dez anos pelo Presidente português [Cavaco Silva]. É feita aos vinte anos”.

Na altura dos atentados terroristas de 2001, que no total mataram quase três mil pessoas, Elizabeth Alves tinha 27 anos e trabalhava no escritório de um restaurante no World Trade Center. Salvou-se porque na manhã de 11 de Setembro decidiu esperar pela carruagem de metro seguinte e à saída, pelas 8:50, deparou-se com a torre norte já em chamas, contou à agência Lusa.

Jimmy Paulo estudava medicina e juntou-se às operações de socorro como paramédico, na organização de bombeiros voluntários presidida por Manny Oliveira. “Naquelas primeiras dez noites estivemos sempre a tentar procurar pessoas vivas e não se conseguiu encontrar ninguém, infelizmente”, recordou, emocionado por regressar a este lugar.

“É um grande trauma. Mesmo hoje de manhã, a sair do metro, eu chego aqui e isto é uma zona sagrada, que nos traz sempre aquela memória e a tristeza de saber o que aconteceu aqui”, disse à Lusa.

Dirigindo-se a este grupo de portugueses emigrantes e alguns já nascidos nos Estados Unidos da América, Marcelo Rebelo de Sousa lembrou o 11 de Setembro de 2001 como “um momento terrível para a humanidade e para os defensores da liberdade e da democracia e da justiça, que não podem tolerar terrorismos, que ceifaram tantas vidas humanas”.

“Não podemos esquecer, e o vosso papel foi histórico. Ainda bem que trazem os filhos, que devem conhecer a história, para poderem contar aos netos aquilo que viveram os pais há vinte anos. Muito, muito, muito obrigado”, acrescentou.

Marcelo Rebelo de Sousa convidou-os a acompanharem-no, “para ser uma homenagem conjunta de Portugal”, no percurso pelo memorial, onde parou junto dos nomes das nove vítimas portuguesas dos atentados de 11 de Setembro gravados em placas de bronze em redor dos dois espelhos de água que agora ocupam os lugares das duas torres.

Os nomes de António José Rodrigues, Manuel João da Mota, António A. Rocha, João Alberto da Fonseca Aguiar Jr., Carlos S. da Costa, Mark Steven Jardim, Christopher D. Mello, Raymond James Rocha e Dennis James Gomes estavam assinalados com pequenas bandeiras de Portugal.

Neste percurso, o Presidente da República foi conversando com o arquiteto Luís Mendes, que esteve na coordenação da remoção dos destroços e lhe explicou a dimensão e complexidade dessa operação e relatou como “no primeiro dia não queria acreditar no que estava a ver”.

“Claro que os portugueses tinham de estar na primeira linha. É uma comunidade fortíssima neste grande país e que está presente em tudo”, observou Marcelo Rebelo de Sousa.

Depois, o chefe de Estado depôs uma coroa de flores e fez um momento de silêncio pelas vítimas dos atentados de 11 de Setembro de 2001 e foi visitar o museu inaugurado em 2014, sem a comunicação social.

À saída, declarou-se impressionado com este museu, que tem fragmentos dos destroços, um carro de bombeiros parcialmente destruído, uma escada por onde escaparam sobreviventes, e testemunhos de familiares e amigos das vítimas.

“Tudo com uma mensagem que é passado virado para o futuro, isso dá um ar de paz a este memorial, e também de reflexão e de paz com dor no museu”, considerou.