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Atrasos deste verão custaram mil milhões às companhias europeias

© Luís Vieira Cruz / BOM DIA

Os atrasos nos aeroportos da Europa este verão ascenderam a 10,8 milhões de minutos perdidos, o equivalente a 20 anos e meio, e custaram cerca de mil milhões de euros às companhias aéreas europeias.

“Infelizmente, tivemos 10,8 milhões de minutos de atrasos. Isto equivale a 20 anos e meio das nossas vidas coletivas perdidos no ar ou no solo, e representa um custo de cerca de mil milhões de euros para as companhias aéreas”, disse a diretora-geral da Associação das Companhias Aéreas Europeias (Airlines for Europe, A4E), Ourania Georgoutsakou, em conferência de imprensa em Bruxelas.

Relatando dados sobre o tráfego aéreo este verão na Europa, a responsável apontou que “o espaço aéreo e a capacidade continuam a ser um problema porque são responsáveis por quase 50% de todos os atrasos”.

“Enquanto continuarmos a ter níveis tão baixos de capacidade e problemas relacionados com o espaço aéreo em toda a Europa, o tráfego continuará a crescer. Estamos a limitar-nos a nós próprios ao permitir que este tipo de problemas persista”, alertou.

Ainda assim, Ourania Georgoutsakou observou que “os europeus continuam a precisar e a querer viajar de avião, uma vez que o tráfego aumentou 2,3% neste verão, de acordo com a base de dados da União Europeia”.

A estimativa de crescimento do tráfego é, em média, de 2% por ano.

“Por isso, é mais do que tempo de resolver este problema” de capacidade, reforçou.

Num verão também marcado pela entrada em vigor do novo Sistema de Entrada/Saída (EES), para gestão das fronteiras da União Europeia, foram ainda registadas “filas de espera de até cinco ou cinco horas e meia em alguns aeroportos europeus”, de acordo com Ourania Georgoutsakou.

“Uma implementação adequada do sistema EES também significaria que poderíamos planear e alocar o pessoal e os recursos necessários, de modo a garantir que não existem estrangulamentos e que os passageiros não ficam sentados em filas enquanto tentam chegar ao seu destino”, defendeu a responsável.

Ourania Georgoutsakou pediu aos responsáveis europeus que sejam “pragmáticos” na gestão do EES, sugerindo um ‘botão de pausa’ para utilizar sempre que as filas se tornem demasiado longas e a implementação da aplicação de pré-registo em toda a Europa.

Já quanto ao impacto das tensões no Médio Oriente na operação das companhias aéreas, a representante destacou a “evolução do preço do combustível para aviação, que mais do que duplicou desde o início desta crise”, que ascendeu a aumentos de 115% há semanas.

Ainda assim, de acordo com a A4E, os preços dos bilhetes de avião estavam cerca de 1% mais baixos no primeiro semestre deste ano, em comparação com o mesmo período do ano anterior.

“Isto significa que as companhias aéreas estão a fazer tudo o que podem para absorver o máximo possível destes aumentos de custos, mas, sejamos honestos: esta não é uma situação sustentável se o custo do combustível continuar a manter-se nestes níveis”, disse ainda Ourania Georgoutsakou.

Também falando na ocasião sobre o abastecimento de combustível para aviação à Europa, o presidente executivo da companhia aérea de baixo custo Ryanair, Michael O’Leary, disse que “não deverá haver qualquer interrupção no fornecimento até ao final do ano”, nem “até ao próximo verão, a menos que ocorra algum acontecimento imprevisto”.

Porém, “estamos todos perante um enorme desafio em termos de custos no próximo ano”, admitiu.

A posição surge numa altura de crescente pressão sobre as companhias aéreas europeias, devido ao impacto da crise no Médio Oriente e ao aumento dos custos decorrentes da regulação, nomeadamente das exigências ambientais.

A A4E representa as 16 maiores companhias aéreas da Europa, incluindo a portuguesa TAP.

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