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Vale das Almas

Chega a hora tardia
põe-se o sol no deserto
o lago antigo arrefece
a árvore sagrada a colina envelhece
cruz de pau que arde à chuva
guerreiro dos lobos
no círculo de fogo
noite de lua cheia de espíritos
a morte e o diabo
que assistem sorridentes.

Invente-se uma nova lenda
crie-se depressa um novo mito
que o fim está próximo
inexoravelmente perto
eclipse do sol
raio de lua
sombra na terra árida
estilhaçada de corpos nus
sedentos de luz
orgias de sangue
nas ruas sem nome
búfalo que me chama
sentado de pé
num tambor de guerra
que ecoa pelos céus
mão de Deus
na história do Homem
sítio do além
vale das Almas
garra de águia
pena de falcão
serpente mortal
que nasce do chão
exala o velho, invoca
o sacerdote do vento
pede a prece que se perde
no tempo
reza perdão pela gente
que a mente já sente
raio ténue dum grave instinto
visão precoce dum futuro perdido
pela pureza do momento seguinte.

JLC19051992