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Um caudal no rio como o tempo

Nem o regresso de férias deixa tranquilizar Rui Rio continuando a encontrar um terreno árido dentro do Partido. Senão só teria que se congratular com o amigo António Costa, por lhe deixar o piso feito.

Rui Rio continua sem conseguir representar tão bem que lhe permita esconder a irritação que se vê genuína.

Rio vai dizendo que há elementos de todas as forças políticas – logo da sua, claro, capazes de chorar para serem deputados. – Um recado para dentro do Partido. Valha-nos a humildade e sinceridade.

Continua, aqui sim – igual a ele, que a qualquer momento reitera ser diferente -, e diz que o cargo de deputado não o entusiasma. E não diz isso num contexto que evidencie uma percentagem razoável no dia seis de Outubro.

Aproveita para mensurar a degradação oscilante do Parlamento antes, enquanto foi deputado durante dez anos, e nas legislaturas seguintes, elegendo a que ora termina a mais degradante.

Permanentemente Rio não esconde a falta de entusiasmo no cargo, e enfatiza-o. Não sabe o que fará na noite das eleições, nem nos dias imediatos, respondendo a uma questão pouco oportuna. Refere também que “não tem trinta e tal anos, nem quarenta”. O que pode representar vitalidade, como caducidade e experiência.

Rui Rio recorre sempre ao seu passado para evidenciar as suas características singulares ou de unicidade, lembrando o seu estilo ou feitio diferente.

Temo-lo, aliás, contrariando aquilo que desde sempre – mesmo antes de se assumir como “o homem eleito”, o salvador do Partido, e, por vezes da Pátria, a diluir as características de sapador, sobretudo quando embalado pela experiência adquirida na Câmara do Porto que ganhou, como eu mesmo em tempo disse, até para surpresa sua. Mas segundo as expectativas de então, não foi um mau presidente, tive também eu oportunidade de o dizer.

Rio evidencia ou diz mesmo que é frontal, talvez uma das suas melhores características, para o bem e para o mal – que isto tem.

Refere que seria hipócrita não reconhecer que dentro do Partido andam a fazer-lhe a cama, assumindo que a oposição interna não está tão calada como parece, o que representa assumir claramente posicionar a tolha no ombro, preparando deixá-la cair ao chão.

Rui Rio vai mais longe que eu, que costumo ter em conta que os partidos de direita na hora de tocar a rebate unem-se, coisa que não se passa com os mais à esquerda ou de esquerda.

(Não pratico deliberadamente o chamado Acordo Ortográfico)