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Suíça: portuguesa conta histórias através das redes sociais

A contadora de histórias infantis Mariana Mendes, residente em Nyon, na Suíça francesa, entretém crianças através de vídeos publicados na rede social Facebook, onde lê histórias de temas relacionados com a pandemia do novo coronavírus.

Perante o cenário atual, em que a grande maioria dos países do mundo se encontra em quarentena para travas a propagação do novo coronavírus, são várias as pessoas que puxam pela imaginação para quebrar o isolamento em que se encontram.

É o caso de Mariana Mendes, lisboeta, residente na Suíça há 12 anos, mãe de dois filhos adolescentes, e com um gosto pronunciado pela leitura em voz alta, que usou “o pretexto” da covid-19 para a criação de vídeos, onde declama histórias destinadas ao público infantojuvenil.

“Visto que a situação atual nos traz de volta o tempo que anteriormente não dispúnhamos, senti que seria a ocasião indicada para lançar as minhas leituras sob forma de vídeo, destinados não só às crianças, mas a todos os portugueses que se encontram confinados em casa”, afirmou à Lusa a declamadora.

A lisboeta explicou que o primeiro objetivo dos seus vídeos é o “incentivo à leitura”, mas assumiu que foi o contexto atual derivado da pandemia da covid-19 que a impulsionou a avançar com esta ideia, que já vinha a conceber há alguns meses.

Na Suíça, à semelhança do que acontece em Portugal, com o confinamento a que está sujeita a população, situação que já dura há uma semana, as pessoas procuram ocupar o seu tempo em casa.

“As escolas fecharam, as propostas culturais são poucas ou nenhumas, mas as crianças estão em casa e precisam de ser ocupadas”, salientou Mariana Mendes, acrescentando: “Visto que muitos pais não têm hábitos de leitura, vi nestes vídeos uma forma de poder continuar a fazer o que gosto e, ao mesmo tempo, despertar o interesse das crianças pelos livros e entreter os pais que com elas me escutam”.

Os vídeos da declamadora encontram-se disponíveis numa página da rede social Facebook – “As leituras da Mariana-Mariana Storyteller” –, que criou há uma semana, e através da qual se pode assistir às suas leituras todas as terças-feiras e quintas-feiras.

“O ‘feedback’ tem sido muito positivo, recebo mensagens e comentários de portugueses que me dizem que já anseiam pela próxima história”, revelou, com satisfação, a contadora de histórias.

Para a realização dos vídeos, a declamadora conta com a ajuda do seu filho de 16 anos, que filma e edita os vídeos da mãe.

“Acaba por ser uma boa forma de nos ocuparmos em família”, declarou.

Os vídeos são filmados no jardim do apartamento da família Pedrosa Mendes, um local a partir do qual a leitora leva até a casa das pessoas que assistem “um pouco de ar puro” e uma “mensagem de positividade e de calma”, notou.

Apesar dos vídeos serem destinados essencialmente aos “miúdos”, há cada vez mais adultos que se interessam pelas leituras de Mariana.

“São muitos os adultos que me pedem a leitura de histórias das suas infâncias”, contou a portuguesa, até porque, frisou: “Todos temos uma criança dentro de nós”.

Relativamente à pandemia do novo coronavírus, a lisboeta considerou que o mundo estava “caduco e doente” e, na sua opinião, o que está a acontecer é um “fenómeno natural de purga”.

“O mundo estava a atingir um limite e a natureza encarregou-se de nos dar uma lição”, vincou.

Sobre a situação, a declamadora realçou que quem “sofre mais” são os mais novos.

“Cá em casa, o meu filho mais velho é quem mais sente as consequências desta nova vida em casa”, expressou a lisboeta, admitindo que lhe dá permissão para sair e correr para descomprimir.

Em relação às consequências económicas da pandemia, Mariana Mendes adiantou que as repercussões já se fazem sentir a nível financeiro, visto que trabalha como auxiliar de educação em ‘part-time’ e só ganha se trabalhar.

“Ganho à hora e se não trabalhar, não ganho”, revelou Mariana, deixando transparecer a sua preocupação.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais de 308 mil pessoas em todo o mundo, das quais mais de 13.400 morreram.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde a declarar uma situação de pandemia.