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Racismo e xenofobia: é preciso sentar os extremos e conversar

Os recentes casos de racismo e xenofobia em Portugal levam a diretora da Obra Católica Portuguesa de Migrações, Eugénia Quaresma, a afirmar à Agência ECCLESIA que “é preciso sentar os extremos” para haver diálogo e surgir a reconciliação. “Conseguir sentar os extremos e conversar, às vezes estão a dizer coisas verdadeiras em ambos os lados mas não se estão a ouvir, é preciso construir uma terceira via de encontro”, defende a responsável. 

Eugénia Quaresma aponta que “há erros do passado que precisam de ser corrigidos” como a realidade urbana, os “realojamentos de pessoas que vivem nas periferias e sofrem todas as consequências de ali viver”.

“É preciso trabalhar na inclusão, trabalhar com os descendentes que estão afastados do percurso escolar e isso não está só nas mãos das escolas, há trabalho a fazer com a família e escola para que eles sintam que têm lugar”, justifica.

Uma das faixas etárias que preocupa a responsável são os jovens que não se sentem pertença ou integrados e “esse trabalho pode ser feito na Igreja e fora da Igreja, em conjunto. Os grupos de jovens são um exemplo de proposta de grupo de pares, é preciso aprender com o passado, para construir o futuro em conjunto; veja-se o exemplo que o confinamento nos trouxe, por exemplo, ao nível da música, é necessária esta riqueza da diversidade para descobrir o que nos une”.

Eugénia Quaresma citou um projeto de refugiados em Lisboa, um restaurante de comida síria, “que está sempre cheio” e que “são uma mais valia para a sociedade porque houve um processo de integração para depois promover as pessoas”.

“O ano de 2019 foi o ano nacional da colaboração e, de norte a sul do país houve iniciativas que mostraram que é possível colaborar e é urgente passar esta mensagem, o trabalho em conjunto, dentro e fora da Igrejas e entre instituições”, remata.

A Igreja Católica em Portugal vai promover de 9 a 16 de agosto a Semana Nacional de Migrações, inspirada pela mensagem do Papa Francisco, ‘Forçados, como Jesus Cristo a Fugir’, procurando apresentar “testemunhos de vida” sobre a realidade das deslocações forçadas, por causa da pobreza ou da guerra.

Durante esta semana decorre ainda a Peregrinação Nacional do Migrante e Refugiado a Fátima, nos dias 12 e 13 de agosto.