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Que cheirinho a dinheiro fresco

“A todos aqueles que fazem do nosso, o dinheiro deles”

Cabelo em brilhantina empastado,
Fortes traços, como riscos na cabeça,
Faz tudo parte do seu moderno penteado,
Ar de pedante, e de cara amorenado,
Que o compre quem não o conheça.
Faz longos passeios, ao domingo, de carro,
Vento que lhe bate nos cabelos,
Mas até já lhe fizeram esse reparo,
Nem um fio se move e isso não é raro,
Graças à brilhantina espalhada naqueles pelos.
O sapato fino, do melhor cabedal,
O fato, da mais cara e alta costura,
Honesto e de uma transparência cristalina e pura,
Político de grande convicção e ideal.
O perfume só de marca, já se sabe,
E o trabalho…quem o começou que o acabe.

País lindo e pitoresco.
À beira mar plantado,
Por aí, no ar, um cheirinho a dinheiro fresco,
Vem a caminho dos cofres do estado.
Não levem as coisas tão a peito,
A sua paixão pelo povo é genuína e nunca falha,
Este dinheirinho todo junto, a ele dá-lhe jeito,
Distribuído pelo povo, é uma misera migalha.

Cabelo empastado em brilhantina,
Fato novo, sapato bem engraxado,
O perfume disfarça o cheiro a naftalina,
Para ser engenheiro ou doutor,
Não precisa ser formado.
Este homem é um senhor…
Nariz no ar, bem levantado.
Segue o cheiro que o atiça,
Quando o levarem a tribunal por ter roubado,
Sairá ilibado, porque no país é cega a justiça.

Todos os domingos vai à missa,
É fino, educado e até cavalheiresco,
Mas não digam por aí que não há justiça,
Só porque ao infeliz lhe cheirou a dinheiro fresco.

(Possivelmente Poemas)
António Magalhães

 

Esta publicação é da responsabilidade exclusiva do seu autor.