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Povo soletrando versos

Neste cais da poesia, não existem medos nem segredos
é todo o mundo , todo porto, toda a geografia,
o cais da poesia é todo um povo soletrando versos,
um fogueteiro rebentando as bombas e os dedos.

O cais da poesia está aberto a toda a gente,
não há diferenças de classes neste nosso cais
não há nobreza, nem povo, nem ateus, nem pagãos
o cais da poesia é compassivo desagua na compaixão!

Neste cais imaginário não há poeta disfarçado
violentando a candura e impondo o preconceito
que não têm lugar neste mundo e neste cais
da poesia, da amizade, só impera amor e respeito.

Este cais da poesia outrora estava encerrado,
foi aumentando quando da Europa foram chegando
livros e mais livros dentro das sacas da farinha,
também vinham bíblias e muita outra cultura.

E um menino começou à luz da candeia
a ler livros, e pouco a pouco, bocado a bocado,
à noite lia avidamente depois da ceia,
de dia guiava os bois e manejava o arado.

E tal menino com o tempo, tornou-se um instrutor,
também um discípulo e um grande pregador,
das boas novas e também da poesia.
e agora neste cais há marinheiros de amor.

Que soletram à noite e de dia esta arte de pintar
palavras que muitas vezes não rimam, mas rumam
em direção ao futuro, onde a pena tem pena de penar
na sebenta de papel, uma poesia escrita sempre na hora.

José Valgode

 

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