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Portugal também produz nano-satélites

A empresa aeroespacial portuguesa Spin.Works vai desenvolver o primeiro nano-satélite dedicado a estudos de gravimetria e densidade termosférica que permitirá, entre outras questões, quantificar a perda de massa de gelo na Gronelândia e Antártida e o chamado degelo (fenómeno nos pólos relacionado com o aumento da temperatura do planeta e consequente redução da camada de gelo no oceano).

O grupo português ISQ (Instituto de Soldadura e Qualidade) faz parte do consórcio, que também inclui a Spin.Works (líder do desenvolvimento), a Universidade do Texas em Austin (UTA), o Laboratório Ibérico de Nanotecnologia (INL) e a Universidade do Minho (UMinho). “A parceria foi agora oficialmente iniciada e uma das possíveis aplicações mais interessantes para esta tecnologia é a monitorização recorrente dos aquíferos (reservatórios subterrâneos de água) existentes no nosso Planeta. Esta possibilidade vai permitir melhorar significativamente o conhecimento das dinâmicas dos aquíferos e fazer a relação com o fenómeno das mudanças climáticas”, explica Pedro Matias, presidente do ISQ em comunicado.

Tiago Hormingo, chefe de desenvolvimento de negócios espaciais da Spin.Works. e líder do projeto uPGRADE, que arrancou esta quarta-feira e resulta de um investimento de 2,6 milhões de euros, explicou que o equipamento vai debruçar-se sobre “duas questões principais”: “uma é que o satélite pode ser usado para determinar como é que grandes massas de gelo estão a derreter, nomeadamente, na Gronelândia e na Antártida e, depois, é um método mais eficaz para detetar circulação de água sob o estado líquido à escala regional”, afirmou Tiago Hormingo, dando como exemplo as inundações no Mississipi.

Além destas duas funcionalidades, o nano-satélite poderá vir a tornar-se “o único meio de deteção” disponível para estudar os níveis de água em fontes subterrâneas, presentes, por exemplo, em algumas regiões do subcontinente indiano. “Este método permite saber que água está lá ainda que não se veja, ou que não está”, esclareceu. A equipa científica do projeto é coordenada pelos professores Byron Tapley e Brandon Jones, da Universidade do Texas.

O nano-satélite incluirá, entre um conjunto diverso de “novas tecnologias” para futuras missões de observação da Terra e do espaço profundo, um acelerómetro de alta precisão do INL e da Universidade do Minho, propulsão iónica e sensores de imagem inteligentes. De acordo com Tiago Hormingo, o satélite uPGRADE vai seguir os “passos” de missões como a GRACE (Gravity Recovery and Climate Experiment) e da GRACE-FO (GRACE Follow On) da NASA que recolheram dados gravimétricos para a monitorização de processos de transporte de massa que ocorrem na superfície da Terra.

Além do desenvolvimento da plataforma, a empresa aeroespacial portuguesa é responsável pelos sistemas de controlo de orientação e órbita e pelo desenvolvimento, integração e qualificação para o espaço em pequena escala do computador de bordo e dos sensores de estrelas. À Lusa, o líder do projeto adiantou que esta é “uma forma diferente de abordar a instrumentação científica”, uma vez que este poderá ser o primeiro protótipo de uma “constelação” de nano-satélites.

“Este é o primeiro protótipo daquilo que poderá vir a ser uma constelação, sendo que o segundo satélite custará no máximo um quinto do primeiro e os satélites restantes poderão chegar a valores quase na ordem de um décimo do custo. Com isto, consegue-se construir uma constelação que poderá ser na ordem das 15 ou 20 unidades a um preço que pode não exceder muito os 10 milhões de euros”, avançou.

A qualificação do nano-satélite está programada para o início de 2023, sendo que antes decorrerá uma vasta campanha de testes mecânicos, térmicos e elétricos. O uPGRADE é um dos 11 projetos colaborativos de investigação e Desenvolvimento (I&D) industrial, intitulados Stategic Projects, e liderados pela indústria portuguesa em parceria com instituições de investigação nacionais e a Universidade do Texas.

Neste sentido, os projetos são cofinanciados pelo programa FEDER, através do Compete2020 da União Europeia, pelos Programas Operacionais Regionais e pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) através da iniciativa “Go Portugal — Global Science and Technology Partnerships Portugal”.

#portugalpositivo