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Poesia contra iliteracia

Quando a poesia me acorda e quer falar eu digo canta,
Quando a poesia passeia nos campos de feno
Eu grito sons fogosos de criança expelindo amores
E lhe dou meu regaço fresco e moreno.

Quando a poesia declama, eu digo mais alto
Brota dentro de mim fogo que consome
E me deleito com os cantares das fontes
E procuro na Gralheira as urzes e giestas dos montes.

Depois atiro uma pedra relâmpago quase certeira
Que entre num coração carente cheio de fome.
Quando a poesia declama, ponho meus louros velhos
E procuro sustentar o tempo e o sabor de um beijo.

Quando a poesia me acorda nas noites de Outono
Eu tomo o devido tempo para a poder escutar
Mesmo que tenha que encurtar o meu sono
Nunca lhe digo que nao à poesia e ao amar.

Quando a poesia declama, eu clamo: oh! que beleza
Com sangue e granito, assumo sua nudez por dentro
Num corpo de brilho, perfil e com certa nobreza
Que se traduz em alento, ritmo e algum sofrimento.

Quando a poesia declama, eu não sou poeta que divaga
Digo à inspiração, meu mar agitado e salgado com versos
Agarro-a e saboreio sua candura e pureza que nunca se apaga
A poesia luta contra a iliteracia nos campos mais diversos!

José Valgode

 

Esta publicação é da responsabilidade exclusiva do seu autor.