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O cabelo nívea da minha vózinha

Sou daqueles que aprecio muito, instigo, estou ou sou de acordo com a proximidade que os netos têm aos seus avós. Assim como cada avô deve ter ante os seus netos.

Se por vezes houvesse um pedacinho mais de honorabilidade não seria mau, como os nossos avós, do nosso tempo.

Mas vermos um avô velhinho, cabelinhos brancos mas doces – sim, doces cabelos e com um pouquinho duma certa autoridadezinha, não deixa de ser bonito – bem bonito. Uma figura de referência.

É uma doçura. É um elemento que está acima de tudo, é tratado com carinho como vózinha, não deixa de ser doce, cândido.

– “Vamos a casa da vózinha” – ouvia eu, por exemplo, da minha madrinha – que é minha irmã – a dizer aos seus filhos! E com solenidade límpida, sem prepotência alguma, só carinho e algo-delicado, lá vinham, lá íamos nós, quando eu também com os meus pais ia à vózinha, periodicamente aos domingos à tarde.

Essa figura, quer para os meus sobrinhos, para quem esta (a vó Diamantina – quando mal sabíamos qual o nome) era a vó velhota, para distinguir da avó (mais nova) – a verdadeira, a “primeira” avó.

É essa figura – a minha avó de cabelos de um branco-muito-nívea – como pedacinhos de neve, – não posso fugir aos costumes do tempo, em que os avós tinham cabelinho branco, e também nos nossos livros da escola primária.

Por isso, vózinha (que representa todos os outros que não conheci) fica gravado o meu maior agraciamento, a minha maior memória, do cúmulo do respeito, de quem está ao cimo, no topo.

Esse topo será no Céu – no firmamento, bem lá no alto, no célico bem longe?

(A minha avó nasceu em seis de Outubro de 1894 e pereceu em quatro de Agosto de 1984).

(Não pratico deliberadamente o chamado Acordo Ortográfico)