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Marcelo vai ser o quarto Presidente português eleito recebido na Casa Branca

Marcelo Rebelo de Sousa vai ser o quarto Presidente português eleito em democracia a ser recebido na Casa Branca, em Washington, pelo chefe de Estado dos Estados Unidos da América.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, irá encontrar-se com Donald Trump em Washington D.C. na quarta-feira, dia 27, primeiro a sós e depois em reunião bilateral alargada.

Ramalho Eanes, primeiro Presidente da República Portuguesa eleito por sufrágio universal após o 25 de Abril de 1974, foi recebido na Casa Branca por Jimmy Carter, em 1978, e por Ronald Reagan, em 1983.

Mário Soares esteve igualmente com Reagan na Casa Branca, em 1987, onde se reuniu também com George Bush, em 1989 e 1992, e com Bill Clinton, em 1993. Cavaco Silva, por sua vez, foi recebido em Washington por Barack Obama, em 2011.

Dos anteriores presidentes da República eleitos, apenas Jorge Sampaio – que recebeu Bill Clinton em Lisboa quando este estava a terminar o segundo mandato, no ano 2000, e depois teve como homólogo George W. Bush durante o período tenso da guerra do Iraque – não esteve na Casa Branca.

Sobre o encontro entre António Ramalho Eanes e Jimmy Carter, realizado em 31 de maio de 1978, a declaração emitida pela Casa Branca dá conta de que “os dois presidentes analisaram os desenvolvimentos em África, a segurança europeia, os direitos humanos, a cooperação económica bilateral e o uso da Base Aérea das Lajes”, nos Açores.

Quanto às Lajes, segundo o mesmo documento, na altura Eanes “reiterou as garantias de Portugal de que não questionará o uso continuado da base pelos Estados Unidos”.

“O Presidente Eanes descreveu o progresso de Portugal na consolidação de sua democracia e na promoção da recuperação económica desde que os dois líderes se reuniram pela última vez há um ano em Londres. O Presidente Carter expressou a sua admiração pela contribuição pessoal do Presidente Eanes para estas conquistas e assegurou-lhe que Portugal pode contar com a continuação do entendimento e apoio dos Estados Unidos”, lê-se na súmula da reunião.

O encontro entre Eanes e Ronald Reagan aconteceu em 15 de setembro de 1983, ainda em período de Guerra Fria, e o registo televisivo mostra os dois chefes de Estado a discursar no relvado sul da Casa Branca, numa cerimónia com honras militares.

Reagan congratulou-se com a “amizade calorosa e verdadeira” entre Portugal e os Estados Unidos, saudou os esforços de Portugal “para construir uma democracia vigorosa” e elogiou o “grande e crucial papel” de Eanes nesses “nove anos na luta por uma democracia aberta”, considerando que lhe valeram “um capítulo na nobre história da liberdade no mundo”.

Ramalho Eanes, por seu turno, afirmou que o povo português é “um amigo leal e aliado firme dos Estados Unidos” e expressou a vontade de “potenciar a velha coesão” na defesa de interesses comuns.

Relativamente ao encontro de Reagan com Mário Soares na Casa Branca em 18 de maio de 1987, nas imagens televisivas os dois presidentes aparecem sorridentes a cumprimentarem-se na Sala Oval e os arquivos norte-americanos referem que a audiência durou meia hora e serviu “para discutir questões bilaterais e internacionais”.

Durante a presidência de George Bush pai, Soares foi recebido em Washington em 26 de junho de 1989 e 13 de janeiro de 1992. No segundo encontro, de acordo com a declaração da Casa Branca, o chefe de Estado norte-americano “manifestou o seu forte desejo de cooperar estreitamente com Portugal” e discutiu com o Presidente português “os desenvolvimentos asiáticos e a antiga União Soviética, assim como questões relevantes para a África Austral”.

Em 21 de abril de 1993, Mário Soares foi recebido por Bill Clinton, e a reportagem da agência Lusa menciona que o Presidente português se mostrou satisfeito pela oportunidade de dialogar com “um homem tão jovem, idealista, e com uma pureza de intenções tão grande à frente de um país importante como são os Estados Unidos”.

Soares descreveu Clinton como “uma personalidade de grande carisma pessoal e de grande magnetismo” e relatou que o diálogo que os dois mantiveram em privado foi “mais extenso e completo do que esperava”, abrangendo questões bilaterais e europeias, “incluindo o problema da Bósnia”.

“E ele próprio espontaneamente puxou a conversa da Indonésia, e finalmente falámos de Angola”, adiantou o fundador e primeiro secretário-geral do PS, que considerou ter existido “uma grande sintonia de opiniões”.

Na presidência dos Estados Unidos da América, seguiu-se George W. Bush, que não recebeu em Washington nenhum dos dois chefes de Estado portugueses que exerceram funções durante os seus oito anos na Casa Branca: Jorge Sampaio e Cavaco Silva.

No seu segundo mandato como Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva foi recebido por Barack Obama no dia 09 de novembro de 2011, cerca de um ano após uma visita do chefe de Estado norte-americano a Portugal, por ocasião de uma cimeira da NATO em Lisboa.

Num momento em que Portugal estava sob resgate financeiro, Cavaco Silva disse aos jornalistas ter assegurado a Barack Obama que o país “cumprirá as metas com que se comprometeu” e que o Presidente dos Estados Unidos “expressou o apoio da Administração americana à execução do programa de assistência financeira”.

Em declarações nos jardins da Casa Branca, Cavaco Silva acrescentou que durante o encontro informou Obama sobre a avaliação positiva que a chamada ‘troika’ tinha feito no primeiro exame à execução daquele programa.

Neste período de cerca de 40 anos desde as eleições presidenciais portuguesas de 1976, quase todos os chefes de Estado norte-americanos realizaram visitas oficiais a Portugal. Jimmy Carter, em junho de 1980, Ronald Reagan, em maio de 1985, Bill Clinton, entre maio e junho do ano 2000, e Barack Obama, em novembro de 2010.

George W. Bush esteve nos Açores, na cimeira das Lajes, em março de 2001, que antecedeu a intervenção militar no Iraque, com o então primeiro-ministro português, Durão Barroso, e os chefes dos governos do Reino Unido, Tony Blair, e de Espanha, José María Aznar.