De que está à procura ?

belgica
Lisboa
Porto
Bruxelas, Bélgica
Europa

Luxemburgo recorda infanta portuguesa que governou o Grão-Ducado

© MNHA

A infanta portuguesa Maria Ana de Bragança, que foi grã-duquesa do Luxemburgo e regente do país de 1908 a 1912, vai ser recordada numa exposição dedicada aos 125 anos do casamento com o grão-duque Guilherme IV.

A mostra, organizada pelo Museu Nacional de História e Arte e pela Casa Grã-Ducal, com o apoio da Embaixada de Portugal, destaca “a história amorosa” de Maria Ana de Bragança, filha de D. Miguel, e do futuro Guilherme IV, além das “consequências políticas” da união para o país, disse à Lusa o conservador daquele museu e co-comissário da exposição, Régis Moes.

Celebrado em 22 de junho de 1893, o casamento “foi um evento importante na História do Luxemburgo”, apontou Régis Moes, levando à mudança de religião da coroa e, mais tarde, ao acesso das mulheres ao trono.

“O pai de Guilherme, Adolfo de Nassau, era luterano, o que aliás o levou a opor-se durante muitos anos ao casamento do filho com Maria Ana de Bragança, porque ela era católica”, explicou.

Mas em 1890, Adolfo acedeu ao trono do Grão-Ducado, um país de maioria católica, passando a ver vantagens políticas na união.

“Havia interesse em que a dinastia reinante se aproximasse da religião do país”, apontou o conservador, tendo as seis filhas do casal sido educadas já no catolicismo.

O casamento também acabaria por abrir portas à entrada das mulheres no trono.

Como o casal não teve filhos do sexo masculino, o pacto da família de Nassau foi alterado de forma a permitir o acesso das mulheres ao trono, em 1907.

“Com a chegada de Maria Ana de Bragança há uma certa feminização da dinastia”, explicou o conservador do museu.

Guilherme IV tornou-se grão-duque em 1905, mas adoeceu pouco tempo depois.

Em 1908, Maria Ana de Bragança foi nomeada regente, passando a assinar leis e a “assumir um papel político”.

Após a morte do marido, em 1912, sucede-lhe a filha mais velha, Maria Adelaide, seguindo-se a segunda filha do casal, a grã-duquesa Carlota, após uma crise política em 1918-1919.

“É uma corte unicamente feminina, que contrasta enormemente com o mundo político da época, exclusivamente masculino”, sublinha o conservador.

Filha de D. Miguel, que reinou em Portugal de 1828 a 1834, Maria Ana de Bragança nasceu na Alemanha, onde o ex-monarca passou a viver após a assinatura da Convenção de Évora-Monte, que levou à sua deposição e ao exílio.

Maria Ana de Bragança e Guilherme de Nassau conheceram-se em 1880, numa festa de família, tendo o futuro grão-duque feito o primeiro pedido de casamento em 1884, quase uma década antes de receber o aval do pai, segundo o conservador.

Durante a Segunda Guerra Mundial, quando a família grã-ducal fugiu do Luxemburgo, após a ocupação do país pelos nazis, Maria Ana foi uma das pessoas que recebeu vistos do cônsul de Bordéus, Aristides de Sousa Mendes, para chegar a Portugal, partindo depois para o exílio nos Estados Unidos.

A bisavó do atual grão-duque Henrique morreu em 1942, em Nova Iorque, com 81 anos, estando sepultada na catedral do Luxemburgo.

Foi também Maria Ana de Bragança quem organizou o restauro do castelo de Berg, residência dos grão-duques desde o seu casamento, onde Marcelo Rebelo de Sousa pernoitou durante a visita de Estado ao país, em maio de 2017.

Para o conservador, a exposição, que vai estar aberta ao público de 10 de julho a 23 de setembro, é também uma ocasião para mostrar que a ligação entre os dois países precede a imigração portuguesa no país.

“A História do Luxemburgo é pouco conhecida do grande público, em particular as relações entre Portugal e o Grão-Ducado e a forte presença da comunidade portuguesa, que fazem parte da História mais recente. É também uma forma de mostrar que estas relações vêm de há mais tempo e que são amigáveis”, disse o conservador à Lusa.

Na inauguração, a 09 de julho, vão estar o grão-duque herdeiro Guilherme e a grã-duquesa herdeira Stéphanie de Lannoy.

“A corte grã-ducal está muito implicada na preparação da exposição e é o principal fornecedor dos objetos expostos”, adiantou o curador.

Mas o objeto mais valioso da exposição vem do Palácio Nacional da Ajuda, em Lisboa: a Banda das Três Ordens, uma insígnia em ouro e prata com pedras preciosas, que reúne as Grã-Cruzes das Antigas Ordens Militares de Cristo, de Avis e de Sant’Iago da Espada, criada por D. Maria I em 1789 e usada atualmente pelos Presidentes da República.

“Para nós é uma honra, graças à ajuda do embaixador de Portugal no Luxemburgo, podermos mostrar este objeto que deixa muito raramente o Palácio Nacional da Ajuda, e que tem um grande valor patrimonial e uma grande importância para a História de Portugal”, disse o conservador.