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José Luís Carneiro: Portugal não deve fazer previsões sobre futuro da Venezuela

Portugal não deve fazer previsões sobre o futuro da Venezuela, disse o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Luís Carneiro, reiterando que Lisboa defende uma solução pacífica, democrática e eleitoral, para o impasse que o país vive.

“Fundamentalmente, um país como Portugal, que está no Grupo de Contacto Internacional, que participa também noutros fora internacionais e que tem vista encontrar uma saída pacífica, democrática, com o escrutínio da comunidade internacional, é um país que não se deve deter a fazer previsões”, disse.

José Luís Carneiro falava à agência Lusa, em Caracas, no âmbito de uma viagem de três dias à Venezuela, onde realiza contactos com a comunidade lusa local, depois de, na noite de segunda-feira, ter participou nas cerimónias oficiais do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.

“[Portugal] deve concentrar-se, que é o que tem sido feito de parte do senhor ministro dos Negócios Estrangeiros [Augusto Santos Silva] em procurar, em cada reunião, apresentar sugestões, propostas, para que se consiga sair deste impasse político e que se possa sair, como sempre o temos dito, por via pacífica, por via democrática”, disse.

Por outro lado, frisou que as comemorações locais do Dia de Portugal foram “um momento especial” que permitiu reunir, na residência oficial do embaixador português em Caracas, Carlos Nuno Almeida de Sousa Amaro, representantes do Governo do Presidente, Nicolás Maduro, e da oposição venezuelana.

“Foi um momento muito especial, não apenas porque tivemos aqui representantes do poder ‘de facto’ na Venezuela, o vice-ministro de Relações Exteriores [para a Europa], Iván Gil, mas tivemos também deputados da Assembleia Constituinte [composta unicamente por simpatizantes do regime] e até representantes de [Juan] Guaidó [opositor, presidente do parlamento e auto-proclamado Presidente interino]”, disse.

Para o governante português, “isso mostra que foi possível, no Dia de Portugal, termos na casa de Portugal [residência oficial] espanhóis, italianos, membros da Assembleia Nacional [parlamento, de maioria opositora], membros do poder ‘de facto’ na Venezuela e representantes dos países da região”.

Carneiro interpretou estas presenças como uma “valorização do contributo que Portugal tem procurado dar para que se encontre uma solução política, pacífica e que devolva a palavra ao povo venezuelano”.

“Isso é muito significativo, muito particularmente num dia em que se comemora os valores que para nós são tão caros, como o valor da liberdade, da justiça social, da fraternidade, que são valores do humanismo que estão presentes naturalmente nas comemorações dos dias de Portugal, mas também dos outros países europeus que aqui estiveram connosco”, concluiu.

O secretário de Estado das Comunidades Portuguesas iniciou na segunda-feira uma visita de três dias à Venezuela, durante a qual tem mantido contactos com a comunidade portuguesa radicada nas cidades de Caracas, Maracay e Valência.

Também com conselheiros, cônsules honorários e representantes da Igreja Católica Local.

Por outro lado, supervisionou ainda o funcionamento das consultas médicas impulsionadas por Lisboa para atender as necessidades da comunidade portuguesa da Venezuela, e entregou um apoio económico ao Lar da Terceira Idade Padre Joaquim Ferreira.