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João Pais Filipe grava disco no Uganda

O músico João Pais Filipe integra o cartaz do festival Nyege Nyege, no Uganda, onde vai realizar uma residência artística e gravar um disco, que se junta à lista de mais de meia dezena que tem em curso.

Um de dois portugueses no cartaz do Nyege Nyege, a par de Joaquim Durães da Lovers & Lollypops, enquanto DJ Cuidado, Pais Filipe vai com material preparado, mas com “tudo muito em aberto”, para trabalhar e aprender com as experiências locais, como explicou em entrevista à Lusa.

“Ainda não tenho bem a certeza [quantas pessoas serão na residência artística], porque na altura perguntaram-me se queria trabalhar com um grupo de percussionistas ou com um só. E disse que gostava de trabalhar, não tanto com ensembles, mas coisas mais intimistas, [por isso] sugeri um percussionista ou dois. Deixei ao critério deles. Estou totalmente aberto a que eles me encaminhem para o que acharem melhor”, disse o músico, que se tem desdobrado em projetos nos últimos anos, desde HHY & The Macumbas a CZN (com Valentina Magaletti), passando pela colaboração com o alemão Burnt Friedman.

Músico com formação em Belas Artes, criador de gongos e címbalos, Pais Filipe rejeita ser compositor e encara a música que faz “como uma coisa universal”, sem barreiras ou fronteiras. “É feita aqui, mas é igual ser tocada lá”, seja onde for.

Talvez por rejeitar o rótulo de compositor – tal como recusa pensar no que cria como um “solo de percussão” – João Pais Filipe indica que o seu processo de “composição” (aspas do próprio) é longo para que o resultado seja complexo, “não no sentido de ter muitas coisas, mas complexo na sua forma interior”.

Questionado sobre os novos projetos em curso, Pais Filipe reconhece estar “um pouco a recolher os frutos do que [esteve] a semear”, depois de um período intenso de gravações e edições. Poucos minutos depois enumera as várias atividades a desenvolver.

Para além da participação no Nyege Nyege, onde vai estar acompanhado pela realizadora Mónica Baptista, vai estrear em palco a colaboração com Friedman no festival polaco Unsound, em outubro, onde também vai atuar com HHY & The Macumbas, que vão apresentar o trabalho conjunto com a Kampala Unit, fruto da ida ao Uganda de Jonathan Uliel Saldanha, em 2018.

Depois do Uganda, João Pais Filipe vai ter uma nova residência artística no Peru, onde vai gravar um disco com um percussionista local, seguindo-se uma digressão por China e Japão.

Entretanto, vai sair um disco em parceria com o trio de rock psicadélico Black Bombaim (a quem se juntou para um filme-concerto de Wolfgang Lehmann no Curtas de Vila do Conde em 2018), deverá também ser lançada a gravação feita com os britânicos GNOD, o álbum de Paisiel (com o saxofonista Julius Gabriel), bem como o seu próprio novo disco, ainda sem título definido. Em cima de tudo isto, deverá gravar com Magaletti em dezembro.

Devido ao intenso período internacional que se avizinha, Pais Filipe teve dúvidas sobre se deveria gravar o seu próprio álbum já ou se apenas o deveria fazer no regresso: “Estava um bocado indeciso se haveria de gravar o disco agora, antes de fazer isto tudo, ou depois, mas senti que tinha de fazer isto e agora que fiz, percebi que tomei a decisão certa. E para o que vou fazer é importante, para me renovar um bocado”.