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Irlanda proíbe uso de plástico descartável no setor público

A partir do dia 31 de março todos os órgãos públicos e agências estaduais deverão encerrar o uso de plástico descartável na Irlanda. Essa decisão foi tomada pelo governo irlandês e inclui canudos, copos, pratos e talheres de plásticos descartáveis.

E como forma de combater a poluição por esse material, o governo irlandês está focando no planejamento de ações ambiciosas, voltadas a reciclagem de todos os plásticos. Assim, pode-se envolver tanto produtores quanto varejistas para que haja uma redução no uso do material, voluntariamente.

Restrição ao uso de plástico não se aplica a todas as atividades

Conforme o governo da Irlanda, essa restrição não se aplica a atividades e produtos que dependem do plástico descartável, como é o caso dos que são utilizados para uso hospitalar.

Essa abertura se dá por questão de saúde e segurança, mas não se aplicará a outros órgãos públicos. É importante salientar que essa investida está unida aos esforços em combater a poluição plástica nos oceanos de toda a comunidade europeia.

No último mês, o Parlamento Europeu e a União Europeia firmaram um acordo, proibindo o uso de plásticos de uso único, como talheres, canudos, copos, pratos e outros.

Irlanda está entre os principais produtores de resíduos plásticos da União Europeia

Como sendo um dos principais produtores de resíduos plásticos em toda a UE, a Irlanda produz cerca de 61 kg do material por pessoa, anualmente. No início de 2018, a companhia aérea irlandesa, Ryanair, que realiza voos dentro da Europa, informou o início de uma campanha para eliminar o uso de plásticos não recicláveis em seus voos, até 2023.

Assim como essa empresa, muitas outras medidas já foram iniciadas em toda a Europa e diversos estabelecimentos não fornecem mais sacolas plásticas.

Riscos da poluição plástica para a saúde humana

Anualmente, no mínimo 8 milhões de toneladas de plásticos vão parar no oceano e só na última década, produzimos uma quantidade maior de plásticos do que em todo o século passado.

De acordo com pesquisas, a metade desse material consumido é para uso único, o que aumenta seu despejo, especialmente, nos oceanos. Cientistas informam que uma pequena quantidade de microplástico acaba sendo ingerida por seres humanos ao se alimentar de peixes e crustáceos. O que antes eram considerados alimentos saudáveis, atualmente, podem por em risco a saúde humana.

Embora o Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) tenha emitido uma declaração informando que esse material não é um risco para a saúde humana, poucos são os dados disponíveis e o tema merece a realização de mais pesquisas.

É importante saber que pouca parte do material é reciclado, sendo que a produção mundial chega a 8,3 bilhões de toneladas, de acordo com um artigo publicado na revista Science Advances.

Ainda como parte da edição, o pesquisador da Universidade da Califórnia, Roland Geyer, informa que cerca de 6,3 bilhões de toneladas são resíduos, sendo que 79% estão na natureza ou em aterros.

Segundo a ONU Meio Ambiente, 90% da água engarrafada possuem microplásticos e seu consumo possui efeitos à saúde humana que são desconhecidos. Ainda sobre os plásticos nos oceanos, é válido saber que o sal também contém microplásticos e, somado a outros produtos/alimentos, aumentam a probabilidade de problemas à saúde humana.

Outro estudo realizado por pesquisadores da Universidade Médica de Viena, na Áustria, examinou as fezes de oito pessoas durante uma semana. Cada um dos voluntários eram de países diferentes, sendo: Áustria, Rússia, Reino Unido, Japão, Polônia, Itália, Finlândia e Holanda.

Os resultados foram alarmantes, já que mostraram que as fezes de cada um dos participantes continham partículas de polipropileno, policloruro de vinilo, tereftalato de polietileno – PET, entre outros tipos do material. Estes são denominados microplásticos e podem afetar o sistema imunitário.

Philipp Schwabl, principal autor do estudo, alega que é essencial a realização de mais estudos sobre essas partículas ingeridas pelos seres humanos, uma vez que os estudos realizados em animais mostraram maior concentração no intestino, porém, as partículas ainda menores do material, poderiam entrar na corrente sanguínea e até alcançar o fígado.

Fontes: Folha e UCSB.