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Igreja Católica distingue Eduardo Lourenço

A Igreja Católica em Portugal distinguiu Eduardo Lourenço, de 96 anos, com o Prémio de Árvore da Vida – Padre Manuel Antunes, na sua edição de 2020, apresentando-o como o “mais reputado pensador português da atualidade”.

“Foi para mim uma grande surpresa. Já não estou em idade para receber prémios, mas tive uma grande satisfação e honra, não tanto por mim, mas pela grande admiração que tenho pelo padre Manuel Antunes, velho amigo, que sempre cultivou a exigência crítica e deixou-nos uma obra notável a que volto sempre com grande proveito”, referiu o ensaísta, em declarações enviadas à Agência ECCLESIA.

O Prémio Árvore da Vida – Padre Manuel Antunes foi instituído pelo Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura (SNPC), da Conferência Episcopal Portuguesa, em parceria com o grupo Renascença Multimédia.

De acordo com a ata da 16ª edição deste prémio da Igreja Católica em Portugal, enviada hoje à Agência ECCLESIA, o júri decidiu “por unanimidade” atribuir o galardão ao ensaísta e filósofo Eduardo Lourenço, destacando que o mesmo “nunca renegou os princípios e os ditames do humanismo cristão”.

“Numa atenção compreensiva e crítica aos problemas culturais e sociais emergentes no mundo contemporâneo e numa renovadora mitografia do ser lusíada, desde há meio século Eduardo Lourenço constituiu-se no mais reputado pensador português da atualidade”, pode ler-se.

O júri destaca a “obra ensaística e a escrita de rara qualidade literária”, bem como a “fecunda questionação da sua circunstância nacional e internacional”. Através das vicissitudes e perplexidades de décadas de adverso devir no Ocidente do mundo das ideias e da atitude da intelectualidade dominante, manteve-se fiel aos seus fundamentos antropológicos, axiológicos e éticos, bem como à consequente «obrigação de suportar a liberdade humana» em todos os domínios”.

A justificação do júri realça a “radicalidade pensante” que levou ao “confronto inquieto com o sentido do trágico”, em autores como Antero de Quental, Kierkegaard ou Fernando Pessoa, “em ordem à edificação de uma sabedoria trágica da vida, porventura conciliável com a vivência eclesial da Fé.

“A incomensurável Transcendência divina tem, para Eduardo Lourenço, o Mediador imprescindível em Cristo, arquétipo da abertura amorosa do Eu ao Outro e de um sentido redentor para o Tempo”, pode ler-se.

Face à atual pandemia de Covid-19, e com o conhecimento do premiado, ficou por agendar a data da cerimónia de entrega do Prémio 2020.

O júri desta edição foi constituído por D. João Lavrador, presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais; D. Américo Aguiar, presidente do Conselho de Gerência da Renascença; o padre António Trigueiros, S.J.; a académica Maria Teresa Furtado; Guilherme d’Oliveira Martins, administrador da Fundação Gulbenkian; e José Carlos Seabra Pereira, diretor do SNPC.