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“História de uma gaivota e do gato que a ensinou a voar” de Luis Sepúlveda

Ficha técnica

Título – História de uma Gaivota e do Gato que a ensinou a voar

Autor – Luis Sepúlveda

Editora – Edições ASA

Páginas – 122

Opinião

       Uma das tarefas que o meu filho trouxe da escola, mais propriamente da disciplina de Português, foi reler esta obra e, mal ele me falou disso, eu decidi que o iria fazer também. O D. ainda tinha a história muito fresquinha na memória, já que a havia lido pela primeira vez. Já eu, de acordo com a anotação na página inicial, tinha-a lido no longínquo ano de 2007!

         Iniciámos a releitura ao mesmo tempo, mas em edições diferentes – eu li a minha (esta que aparece na imagem que vos deixo ao lado do texto), ele leu a edição mais recente e mais bonita, repleta de lindas ilustrações a cores e que foi publicada pela Porto Editora. Eu demorei uma ou duas horas (se tanto) a terminar a leitura, o D. prolongou-a até ao dia 21. Contudo, apesar destas pequenas diferenças, há algo que tem que ser destacado – o facto de o meu filhote, após ter concluído a leitura, ter comentado comigo que, lendo pela segunda vez a história do Zorbas e da Kengah, ter gostado mais dela do que havia gostado aquando da leitura inicial. Podem imaginar o quanto fiquei contente e orgulhosa perante a evidência de que, muitas vezes, uma releitura traz mais sabor a um livro do que traz a correspondente primeira leitura!

         É óbvio que a minha muito maior experiência como leitora fez com que eu estivesse atenta a pormenores que depois quis discutir com o meu parceiro desta leitura em conjunto! Comecei por fazer-lhe perguntas sobre as personagens, sobre a temática da obra e, sobretudo, sobre a “categoria” em que ele encaixaria esta narrativa. Tudo para que ele recordasse matéria já dada e se desse conta de que as leituras são conhecimento e despoletam conhecimentos. Assim sendo, O D. apercebeu-se de que Luis Sepúlveda criou uma fábula, que os protagonistas são um claro exemplo disso e que História de uma Gaivota e do Gato que a ensinou a voar nos deixa uma moral, um ensinamento que não deixará nunca de ser atual – aprender “a apreciar, a respeitar e a gostar de um ser diferente” (pág. 92).

         Houve ainda outras coisas que me tocaram de forma especial – o final, que me arrancou algumas lágrimas, e a consciência ambientalista do autor e que me é tão cara. Por fim, partilho convosco um pormenor histórico que este livro me permitiu saber sobre a Libéria, “um país africano muito interessante porque foi fundado por pessoas que tinham sido escravos.” (pág. 17)

         Concluindo, foi uma releitura muito saborosa e que, mais uma vez, fez com que o meu orgulho de mamã babada atingisse os píncaros J Foi igualmente saborosa porque me fez regressar ao mundo sepulvediano de que tanto gosto e porque possibilitou que o D. saísse da sua zona de conforto e percebesse que há leituras maravilhosas fora dos mundos dos “Bananas” e dos “Tom Gates”.

         Não sei quando voltaremos a fazer uma leitura em conjunto. Talvez só o façamos com as leituras obrigatórias para o 8º ano. Contudo, mesmo que cada vez sejam menos, há sempre delicioso ter a companhia do meu homem mais novo no mundo dos livros!

         NOTA – 08/10 (eu) + 10/10 (D.)

         Sinopse

         Esta é a história do gato Zorbas. Um dia, uma formosa gaivota apanhada por uma maré negra de petróleo deixa ao cuidado dele, momentos antes de morrer, o ovo que acabara de pôr. Zorbas, que é um gato de palavra, cumprirá as duas promessas que faz nesse momento dramático: não só criará a pequena gaivota, como também a ensinará a voar. Tudo isto com a ajuda dos seus amigos Secretário, Sabetudo, Barlavento e Colonello, dado que, como se verá, a tarefa não é fácil, sobretudo para um bando de gatos mais habituados a fazer frente à vida dura de um porto como o de Hamburgo do que a fazer de pais de uma cria de gaivota…

        O grande escritor chileno oferece-nos neste seu novo livro uma mensagem de esperança de altíssimo valor literário e poético.

in O sabor dos meus livros

Esta publicação é da responsabilidade exclusiva do seu autor.