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Festa de Nossa Senhora de Fátima junta portugueses na Califórnia

A Festa de Nossa Senhora de Fátima reuniu cinco mil pessoas na comunidade portuguesa de Artesia, numa celebração “importantíssima” para a identidade dos emigrantes, disse à Lusa o reitor da Igreja de Santo António, Francisco Sales.

“Em Portugal as festas religiosas são à volta das igrejas, aqui foram criadas associações para as promover, porque além de viverem as tradições são uma forma de unir a comunidade”, afirmou o sacerdote, que participou na missa em português em honra de Nossa Senhora na Igreja da Sagrada Família de Artesia.

A celebração coincidiu com o Dia da Mãe nos Estados Unidos e seguiu em procissão da igreja até à associação que aglutina a comunidade portuguesa de Artesia, o DES Hall (Divino Espírito Santo), onde foram servidas refeições gratuitas durante todo o resto do dia.

“Se corrermos o mundo onde estão os nossos emigrantes, é rara a comunidade que não tem uma festa de Nossa Senhora de Fátima”, disse Francisco Sales, que foi diretor da Obra Católica Portuguesa de Migrações durante nove anos e preside a celebração de 13 de maio em Oakdale, no vale de São Joaquim, onde existe uma grande comunidade luso-americana.

Foi a devoção a Nossa Senhora que levou Deolinda Figueiras, natural de Lisboa, a juntar-se à Festa no DES Hall, referindo que estes momentos são oportunidades de “encontrar várias pessoas que não se vê há muito tempo” e conviver com lusodescendentes, para lá do apelo religioso.

“Desde que nasci sempre ouvi falar da festa de Fátima e sigo a tradição”, afirmou também Eulália Baeta, natural da ilha Terceira, explicando que o fenómeno de congregação de luso-americanos de outras zonas e a possibilidade de falar mais em português são motivos muito fortes para continuar a estar presente, 33 anos depois de emigrar para os Estados Unidos.

Artesia, no sudeste do condado Los Angeles, tem um ‘mayor’ brasileiro que também é devoto de Nossa Senhora, Tony Lima, e já visitou Fátima várias vezes, tendo ficado “impressionado” com a grandiosidade da história.

Segundo o autarca, “os portugueses mantêm a identidade por dez gerações, sempre da mesma maneira, porque passam de pais para filhos as tradições, as histórias, os fados, as cantorias, as matanças, tudo faz parte da tradição”. Tony Lima sublinhou ainda a importância de meios como a Rádio TV Artesia, que faz reportagens regulares e transmite os eventos celebrados no DES Hall.

Na Festa de Nossa Senhora de Fátima, além da atuação das bandas filarmónicas de Artesia e Chino, houve também vendas de produtos típicos da gastronomia portuguesa, desde massa sovada, suspiros e roscas a coscorões e torta de Viana.

As crianças, já nascidas em solo americano e a falarem inglês, vestiram-se de anjos para acompanhar a imagem de Nossa Senhora na procissão ou como um dos três pastorinhos, Lúcia, Francisco e Jacinta.

“É muito emocionante”, concedeu Isadora Anselmo, presidente da comissão da festa deste ano.

“As pessoas são tão crentes e fazem sempre um sacrifício para vir à festa”, sublinhou, afirmando que é este continuar de tradições que mantém viva a sua ligação com a terra natal.

O pároco da Igreja da Sagrada Família, Luís Proença, salientou que “em termos das festas da nossa Senhora de Fátima esta é, na vivência cristã e religiosa, das mais vividas pela comunidade”.

A próxima grande celebração religiosa específica dos portugueses da Califórnia será o Divino Espírito Santo, no último fim de semana de julho.