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Estudantes de Arouca premiadas em Espanha

Estudantes da Escola Secundária de Arouca foram premiadas em Espanha pela investigação que, analisando a ecotoxicologia dos incêndios florestais, provou o que uma das cientistas envolvidas no projeto classificou como “efeitos nocivos das cinzas no meio aquático”.

Depois dos prémios na edição de 2018 do concurso “Ciência na Escola” e na XII Mostra Nacional de Ciência, a investigação desenvolvida a título voluntário por alunos do 10.º ano do curso de Ciências e Tecnologias foi agora selecionada como uma das melhores propostas entre as 90 que disputaram a feira “Zientzia Azoka”, que decorreu no passado sábado na cidade espanhola de Bilbao e é considerada uma das maiores e mais conceituadas do género a nível europeu.

Com o apoio da Fundação da Juventude, as estudantes Ana Fernandes, Ana Beatriz Machado e Francisca Quintas foram a Bilbao apresentar o trabalho desenvolvido com os colegas José Justo, Celeste Justo e Margarida Paiva, e acabaram assim premiadas com um estágio de dois dias no centro de investigação cooperativa em nanociências CIC nanoGUNE, de San Sebastian.

“Quando começámos este projeto não pensávamos que fossemos ganhar tantos prémios, mas estávamos preocupados com os efeitos dos incêndios florestais no meio ambiente, porque Arouca é sempre muito afetada por fogos e toda a gente vê os danos provocados na superfície terrestre, mas esquece-se que eles também têm consequências para o meio aquático”, declara Ana Fernandes à Lusa.

Destacando-se na “Zientzia Azoka” pelo que a jovem cientista define como “uma metodologia nova e apresentação clara”, o projeto dos estudantes de Arouca revelou como as cinzas presentes em escorrências superficiais de áreas ardidas contaminam o meio fluvial após as chuvas e influem no desenvolvimento dos seres vivos desse habitat, nomeadamente o musgo e os embriões de caracol.

A professora Carminda Santos, coordenadora da equipa, descreve de forma sintética os resultados da investigação que em Bilbau venceu a categoria dedicada às Ciências do Ambiente: “Concluiu-se que o musgo ainda revelava alguma resistência às cinzas, mas parou de crescer, e que o caracol se mostrou bastante mais suscetível, exibindo uma taxa de mortalidade muito elevada”.

Essa pesquisa sobre ecotoxicologia está agora a ser acompanhada pela Universidade de Aveiro, com vista a detetar-se quais das substâncias presentes nas cinzas de massa florestal são mais prejudiciais ao ambiente aquático. “Hidrocarbonetos sabemos que estão lá, mas há 16 tipos deles e o objetivo é identificar quais os que têm efeito mais dramático nos ecossistemas”, explica a docente.

Para Adília Cruz, diretora da Escola Secundária de Arouca, essas conclusões científicas permitem “sensibilizar a população em geral para o efeito menos visível dos incêndios florestais”, da mesma forma que os prémios arrecadados pelos jovens investigadores funcionam como “um estímulo para que mais estudantes se dediquem à ciência”.

Realçando que esse estabelecimento de ensino “sempre investiu muito em equipamento científico e conta, por isso, com um laboratório excelente, como algumas faculdades não têm”, a diretora da escola afirma: “O destaque que estes prémios garantem aos nossos projetos de investigação faz com que os alunos mais pequenos, do 5.º e 6.º ano, se inscrevam logo nas oficinas de ciência mal chegam à escola”.

Para Adília Cruz, essa adesão “é uma coisa muito espontânea e tem repercussão nas outras disciplinas”, pelo que, ao fim de “20 e tal anos de aposta educativa na promoção da ciência, não é por acaso que muitos ex-alunos da Secundária de Arouca estão agora a fazer investigação um pouco por todo o mundo”.