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Ela tem é medo de mim

Tenho uma cadela que é assim um estrondo.

Soltei-a um pedacinho da trela, sob rigorosos cuidados, como é, deve e tem que ser óbvio.

Até porque o meu animal pode ser 1000% inofensivo. Mas não tenho o direito de impôr a sua proximidade, as suas brincadeiras, o saltar carinhosamente, interagir, de um modo geral, com outras pessoas.

Não posso, por nada, nada impor o meu animal. Até mesmo que eu tenha todo o tamanho do mundo de certeza que ele, no caso ela, a minha Tuxa, não belisca o tamanho de um bico de agulha, a quem quer que seja.

É um direito que eu não tenho, em respeito pelo contacto com a outra pessoa, de deixar que a minha Tuxa se aproxime, se chegue, toque em quem quer que seja, nem mesmo as crianças – porque pese as crianças maioritariamente quererem brincar, outras há que terminantemente não querem a aproximação de um cão, tal como há aquelas que ultrapassam o medo e depois não querem outra coisinha que não seja brincar com a Tuxa.

Pronto. A presença do meu animal, com crianças, é objecto de ainda maior cuidado e preocupações.

Geralmente as pessoas simpatizam com o meu animal e reagem com brincadeiras, numa interacção perfeita que invalida as minhas penitências pela aproximação da Tuxa.

Dum modo geral as coisas sintetizam-se: Tem ela mais medo das pessoas, que o medo que meteria ela a outras pessoas.

Noutros casos, já mais estreitos, brincamos que estou bem protegido – seguro pela minha cadela Tuxa.

Agora aconteceu um caso engraçado. A minha Tuxa não estava totalmente no meu ângulo de visão. E vejo uma senhora com qualquer interacção com ela. Apressei-me a informar a senhora que ela não lhe faria mal, que me desculpasse a impertinência e ia esclarecê-la: É mais fácil ser a Tuxa a ter medo da senhora, que o inverso.

As nossas palavras sobrepuseram-se: Ela tem é medo de mim.

***

Nota: A Tuxa estava a estrear uma coleira e trela que a nova madrinha lhe ofereceu.

Por fim: gostava de escrever um dia sobre o medo que temos de um cão. É uma coisa que me transporta à minha primeira meninice, em que éramos instruídos a fugir dum cão, sem antes atirar a – sacramental – pedrada.

Mas a ideia de escrever sobre isto é peregrina. Se houver muitas famílias a pedir…

(Não pratico deliberadamente o chamado Acordo Ortográfico)