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“É diferente um post no Facebook de um artigo de jornal”

Rita Figueiras, professora da Universidade Católica Portuguesa (UCP) e investigadora na área da comunicação, considera que os tempos de pandemia trouxeram novos desafios ao jornalismo e ao público. “Hoje em dia tende-se a chamar notícia a tudo e perdeu-se a perceção de que a notícia é um trabalho que decorre de uma atividade profissional, não é um post que alguém coloca no Facebook”, assinala a entrevistada na edição de hoje nas ‘Conversas Originais’, um projeto da Agência ECCLESIA que decorre ao longo do mês de setembro.

A especialista aborda a relação entre jornalismo, política e experiência direta que cada pessoa faz da pandemia, com diversos níveis de informação que condicionam a própria perceção da realidade.

“Os números, sem contexto e sem entendimento progressivo – ao longo do tempo é que eles ganham sentido -, para todos nós que somos absolutamente nesta matérias”, observa.

Para Rita Figueiras, a dificuldade em entender o que significa, efetivamente, determinado valor apresentado nas notícias pode gerar “ainda mais incerteza, angústia e ansiedade”.

“É importante ter essa informação, mas também é importante encontrar novas abordagens jornalísticas, nomeadamente perceber e integrar esta novidade no nosso quotidiano”, precisa.

A informação vai chegando “relativamente ao mesmo tempo” a cientistas, políticos, profissionais de saúde e cidadãos, num momento com “elevado grau de incerteza”, a que se soma a questão do medo, que alimenta a “profusão de rumores”, assumindo “proporções gigantescas” na internet.

A docente da UCP refere ainda que o “consumo da informação” durante o confinamento aumentou, levando a que se procurem agora repetir as mesmas receitas.

“O jornalismo lida com o previsível, mas é uma atividade extremamente rotineira”, aponta.

Para a entrevistada, é necessária uma visão mais “densificada” do problema, que não se limite a repetir estatísticas.