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Deputados da emigração e aproveitamento da Imprensa

Os deputados eleitos pelos dois círculos da emigração têm sido sempre uma presa fácil da sede de sensacionalismo de alguma Imprensa. No final de cada legislatura a história repete-se e lá surgem os artigos de jornalistas a apresentar sempre os deputados da emigração como os campeões das faltas. E, invariavelmente ou não, ouvem as explicações dos visados, ou ouvem e depois praticamente ignoram o que ouviram.

A história voltou a repetir-se recentemente com o final da legislatura. É simples. Os jornalistas vão ao site do Parlamento e tiram o que lhes convém para fazer uma notícia com impacto, ignorando muitas outras variantes do trabalho parlamentar. Quem faz este tipo de notícias nem sequer se preocupa em tentar saber em que consiste o trabalho dos deputados da emigração, o que é a emigração portuguesa e o que ela significa para o país.

A verdade é que os portugueses residentes no estrangeiro têm feito um longo caminho para serem plenamente aceites no país, sem preconceitos e em pé de igualdade com os que cá estão, pela sociedade e pelas instituições. E, no entanto, as comunidades portuguesas constituem um dos nossos maiores trunfos no exterior em termos económicos, culturais, políticos e diplomáticos, como muito bem tem sido reconhecido pelo presidente da República, pelo Governo e pelo primeiro-ministro. No Ministério dos Negócios Estrangeiros as comunidades portuguesas sempre constituíram um dos vetores estratégicos da política externa.

Muito do nosso desenvolvimento é potenciado pelas nossas comunidades e muito do nosso sucesso e imagem internacional depende de milhares de portugueses que são uns verdadeiros diplomatas da causa nacional… Por isso mesmo, é dever dos deputados da emigração estar junto desses portugueses e lusodescendentes, que são milhões e estão espalhados por mais de 170 países no Mundo.

A realidade é que o trabalho parlamentar nos círculos da emigração só pode ser bem feito se for no terreno, junto das comunidades, o que necessariamente obriga a que sejam dadas faltas, regime que, aliás, a própria Assembleia da República deveria rever para evitar o permanente aproveitamento por parte da Imprensa, o que também é desprestigiante para o Parlamento e dá dele uma imagem deturpada na opinião pública.

Há todo um trabalho parlamentar junto das comunidades que deve ser valorizado e reconhecido, particularmente a participação em todo o tipo de eventos que o movimento associativo permanentemente organiza, em dois círculos eleitorais gigantescos: o da Europa, que vai de Lisboa a Moscovo, e o de Fora da Europa, que abrange todos os outros continentes.

Já era tempo de as comunidades portuguesas merecerem outra abordagem por parte da Imprensa, que as valorizasse e não que as diminuísse e que olhasse para o trabalho dos deputados da emigração como um contributo fundamental para a coesão nacional e a representação de um povo que se espalha pelo Mundo há muitas gerações e por todas as geografias do planeta.

 

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