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Da Petulância

Devo antes do mais dizer que não interessa minimamente para a questão que aqui trago qual era o conteúdo do texto que deu origem a este querela publicado pelo semanário Contacto, a sua exactidão, a correcção dos seus propósitos nem as perguntas que seriam coladas a António Gamito. Este assunto que se nos apresenta é grave demais para tudo o resto.

Dito isto,

Chegado de fresco ao Grão-Ducado o novo embaixador de Portugal dá que falar pelo pior dos motivos. Ficámos a saber hoje (quarta-feira) que o diplomata fez saber a quem de direito que “as relações com o Contacto ficam congeladas”.

Esta é tão só mais uma pedra no muro que lenta, mas continuadamente os emissários do português têm construído para os separar da plebe lusa. A função destes, por aqui, parece ser cada vez mais onanista com total desprezo pela centena de milhar de seus concidadãos em prol duma clique digna dum caciquismo que se cria morto e enterrado.

Com esta atitude António Gamito abdicou de um dos fios de ligação entre a figura máxima representativa do estado português e a maior comunidade que representa, contando naturalizados, 40% dos estrangeiros do Luxemburgo.

À comunidade portuguesa, constituída pelos meios de informação, às colectividades, às empresas, aos representantes eleitos, tenho tão só um pedido a fazer: congelar relações com a embaixada portuguesa até que esta indignidade seja corrigida.

Caro António,

No tempo da “outra senhora” era costume calarem-se jornais. Houve muitos que pagaram muito caro para que esses hábitos desaparecessem. Se lhe causa pejo um jornal que, bem ou mal, faz tão só o trabalho que lhe a liberdade de imprensa lhe permite, cumprindo para esse fim as leis do país onde se encontra, deve seriamente reconsiderar a sua posição enquanto representante da República Portuguesa.

Essa veleidade que, acabadinho de chegar, lhe permite “congelar” relações com aquele que foi anos a fio o único meio de informação para a comunidade portuguesa é digna de tudo menos diplomata. É, como disse acima, digna de alguém que não tem a menor consideração pelo povo que se pretende a representar. De alguém a quem só a soberba e a petulância podem comandar as acções.

Tenha decoro.

Mário LOBO