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Críticas às taxas aeroportuárias na Madeira

As taxas aeroportuárias praticadas pela Aeroporto de Portugal (ANA) na Madeira são das mais elevadas, chegando a custar mais do que o bilhete, o que prejudica o desenvolvimento do Porto Santo, criticou um responsável da companhia aérea Binter.

“As taxas são muitos elevadas, as mais elevadas que conheço para uma rota tão curta, o que é uma barreira para cativar os passageiros e um obstáculo para o desenvolvimento do Porto Santo”, declarou o diretor comercial desta operadora num encontro com a imprensa madeirense na ilha de Grã Canária.

Miguel Ángel Suárez, da Binter, a companhia canária que assegura as ligações aéreas entre a Madeira e Porto Santo, apontou que o custo das taxas aeroportuárias praticadas pela ANA, numa viagem entre as duas ilhas madeirenses é de 32,5 euros, enquanto para um percurso semelhante nas Canárias é de oito euros.

“A taxa é mais cara do que o bilhete”, sublinhou, realçando que o assunto já foi abordado com os responsáveis do Governo Regional da Madeira e da ilha do Porto Santo, no sentido de sensibilizarem o executivo da República e a ANA para este problema, complementando “não conhecer nenhuma rota” com estes custos em taxas para um percurso tão pequeno.

Contudo, salientou que a Binter “ainda não obteve resposta”, admitindo que a companhia não se dirigiu diretamente ao Governo central sobre este assunto.

Ainda vincou que a taxa paga pela viagem marítima entre as duas ilhas do arquipélago da Madeira, no ferry Lobo Marinho, da Porto Santo Line, é de 0,50 cêntimos por percurso.

No seu entender, um valor “até os 10 euros seria o custo justo”, argumentando que esta é uma situação que “limita o desenvolvimento económico, impede a introdução de mais voos, de mais horários e elaboração de campanhas promocionais” no que diz respeito ao Porto Santo.

Falando sobre a operação Madeira/Porto Santo, o responsável mencionou que a Binter venceu o concurso público internacional para esta linha a cinco de junho deste ano, tendo a anterior concessionária [a Sevenair] contestado junto do tribunal, motivo pelo qual o contrato ainda não está assinado.

Afirmando que a prorrogação do prazo concedido pelo Governo para poder operar termina a cinco de dezembro, o responsável sublinhou “desconhecer” qual será a solução que o Governo da República vai adotar se a situação ainda não estiver resolvida nessa altura.

Miguel Ángel Suárez ainda referiu ser necessário pensar nas necessidades dos residentes das ilhas, mas também nas dos turistas, pelo que a companhia “está a tentar adaptar o horário à procura”, declarando que esta é “uma rota que cobre os custos”.

O responsável apoiou igualmente a pretensão do executivo madeirense de querer plasmar o modelo de subsídio de mobilidade praticado em Canárias, em que o Governo suporta 75% do custo das viagens entre as ilhas no arquipélago e agora também para o território continental.

Realçou que, quando o Governo espanhol passou de 50% para 75% o subsídio de mobilidade, registou-se um “crescimento de 37% no mercado” deste país.

Embora admita que a Binter “está aberta a novas oportunidades” e até equaciona criar no futuro uma rota entre a Madeira e a costa de África (Marraquexe) ou o Algarve, recusou a possibilidade de ser uma terceira companhia de ligação com continente português, por falta de capacidade de frota.

A Binter tem uma frota composta por 30 aviões, tento apostado na compra de mais três Bombardier, para substituir os que estão atualmente ao serviço entre outubro de 2019 e 2020.