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Covid-19: a original solução sueca

Era visto como um oásis no meio de uma pandemia. Na Suécia nada mudava. Por toda a Europa as escolas fechavam. Ali não. Por toda a Europa os restaurantes fechavam. Ali não. Diziam que eram um país com habitantes mais frios, que por natureza não estão tão juntos como noutras latitudes. Mas com o passar do tempo, os números estão a demonstrar que nem os frios suecos estão imunes a esta pandemia. O país conta agora com mais de 6 mil casos e 333 pessoas morreram. Há já quem exija uma correção imediata na estratégia de ataque à Covid-19.

Se há local onde a lógica defendida por Trump e Bolsonaro foi posta em prática é na Suécia. Aqui os restaurantes estão abertos, as escolas também e as pessoas continuam a fazer a sua vida como se praticamente nada estivesse a acontecer.

E se por toda a Europa a análise de tracking dos telemóveis revela que as pessoas saíram cada vez menos à rua, os dados da Suécia não mostram isso, até porque não é o que lhes é pedido. A vida continua normal. “Fechar as pessoas nas suas casas não vai resultar a longo prazo”, dizem as autoridades suecas

Mas esta estratégia liberal de lidar com o vírus – que tem como objetivo alterar o mínimo possível a vida económica e social do país – começa agora a estar debaixo de fogo. A pressão aumenta com o crescimento do número de pessoas infetadas e de vítimas mortais.

“Não temos escolha, temos que fechar Estocolmo já”, disse Cecilia Soderberg-Naucler, professora no Instituto Karolinska. Cecilia é uma das 2300 académicas que assinaram uma carta aberta ao Governo onde exige medidas mais fortes para proteger o sistema de saúde.

“Temos que controlar a situação, não podemos caminhar para o completo caos”, disse à Reuters. “Ninguém tentou este caminho, por que é que o devemos testar primeiro na Suécia, sem o consentimento informado?”.

Deixado à solta, o novo coronavírus começa a dar sinal de se estar a espalhar em lares e até em hospitais, onde médicos e enfermeiros estão a denunciar a falta de equipamento existente para se protegerem.

Preparando-se para esse cenário, as autoridades suecas, neste caso tal como tem acontecido noutros países, abriram um hospital de campo num complexo de espetáculos no sul da cidade e já estão a pedir a qualquer pessoa que tenha treino médico para ajudar a socorrer os doentes.

Questionado sobre este cenário, o primeiro-ministro de centro-esquerda, Stefan Lofven, refutou a ideia de que os lares estão a ficar infetados e acrescentou que sempre afirmaram que as coisas iriam “piorar antes de ficarem melhor”.

A estratégia da Suécia em relação às pessoas infetadas tem sido sempre a de as colocar em isolamento, nas casas. Mas nunca foi colocada até agora a hipótese de isolar uma região, uma cidade, ou até um bairro.

“Fechar as pessoas nas suas casas não vai resultar a longo prazo”, disse o epidemiologista Anders Tegnell, responsável pela estratégia que o país está a seguir para combater a Covid-19. “Mais tarde ou mais cedo as pessoas vão sair de qualquer forma”.