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Associativista Tony Castro recorda 11 de setembro

Tony Castro, ex-presidente da Associação Cívica Portuguesa do Estado de Nova Iorque, disse à Lusa que o receio diário de um novo ataque terrorista depois do 11 de setembro foi uma das grandes mudanças para a população dos Estados Unidos.

Emigrado nos EUA há mais de 50 anos e presidente da Associação Cívica Portuguesa do Estado de Nova Iorque PCANYS na altura do 11 de setembro de 2001, Tony Castro considerou que a preocupação e receio tomaram lugares dianteiros na mente dos portugueses e da população de Nova Iorque, “símbolo da América, o centro cultural e económico dos Estados Unidos”.

“Que melhor objetivo para um terrorista do que Nova Iorque, para atacar e tentar destruir a cidade?”, foram as palavras do advogado e procurador de justiça, ex-presidente da única associação que abrangia os centros comunitários portugueses, no Estado de Nova Iorque, 11 no total, e que teve um papel central na localização de vítimas portuguesas.

Com uma declaração de “grande respeito” pelas autoridades de segurança e de ‘law enforcement’ (execução da lei e manutenção da ordem pública), Tony Castro não tem dúvidas de que Nova Iorque, depois do 11 de setembro, foi “objetivo número um” para outros ataques terroristas que nunca chegaram à superfície e de que o público não tem conhecimento.

Tudo prevenido graças ao “trabalho estupendo e extraordinário” da polícia de Nova Iorque, agências de proteção “e serviços de segurança da cidade, do Estado e da nação”, declarou.

Depois da tragédia que matou, só em Nova Iorque, 2.753 pessoas, continuaram a realizar-se os eventos que reuniam milhares de espetadores, como o ‘Halloween’, o Dia de Ação de Graças ou o festival de St. Patrick, mas “havia sempre aquele receio (…) porque nunca se sabia onde seria o próximo ataque”, descreveu Tony Castro, acrescentando que quando se via um ataque “daquela maneira”, era “natural antecipar outro”.

Em relação às comunidades portuguesas expatriadas, o 11 de setembro foi uma clara “prova” da “necessidade de uma associação ‘umbrella’” que integra e junta centros comunitários, clubes e diversas outras entidades ligadas à promoção da cultura e tradições.

Depois do 11 de setembro, a antiga associação estadual de portugueses PCANYS foi a ponte entre o consulado português em Nova Iorque e os emigrantes ou luso-americanos, tendo feito, segundo o antigo presidente, um “serviço extremamente útil para o Governo” português.

Tudo partiu de uma reunião convocada pelo Consulado português de Nova Iorque à associação PCANYS, com a presença de vários líderes comunitários e representantes de clubes portugueses, com o propósito de se “averiguar” e “reportar” quantas pessoas de origem ou família portuguesa foram afetadas, perdidas ou mortas na tragédia, tarefa que demorou várias semanas a completar.

“Se não existisse a associação cívica, de vários centros comunitários, a quem é que o Governo português se iria dirigir para conseguir a informação? Era um projeto extremamente difícil”, considerou Tony Castro.

“Nessa altura, viu-se o verdadeiro valor da associação cívica, que foi tentar reunir a comunidade para conseguir informação, para passar ao governo português”, disse o agora presidente emérito da organização Conferência de Liderança Luso-Americana de Nova Iorque (NYPALC), que a PCANYS integrou em 2017.

Tony Castro e o antigo vice-presidente da PCANYS Fernando Santos dizem lembrar-se de terem sido encontradas “sete vítimas mortais portuguesas” das comunidades de Nova Iorque e vários sobreviventes, embora na altura dos atentados se tenha falado em cinco portugueses mortos.

A associação, com iniciativa de Fernando Santos, procedeu à venda de rifas, com o prémio de uma motorizada, para angariar fundos de cerca de dez mil dólares (8,4 mil euros) para as famílias afetadas e reuniu donativos de vários estabelecimentos comerciais e culturais portugueses nos EUA. Entre 15 mil e 20 mil dólares (entre 12,7 e 16,9 mil euros) foram entregues pela PCANYS a várias famílias portuguesas que se encontravam em mais necessidade depois dos atentados.

A festa e piquenique pelo Dia de Portugal no condado de Westchester era o ponto alto da organização criada em 1972 e legalizada oficialmente em 1976 e uma das únicas oportunidades de reunir toda a comunidade portuguesa espalhada pelo Estado de Nova Iorque.

Tony Castro relatou um dever muito exigente e difícil de dar apoio em 2001: porque a principal atividade da associação eram os festejos e a promoção da cultura portuguesa, preparados com meses de antecedência, mas o atentado criou um estado de emergência, dando uma função de quase diferença entre a vida e a morte para a PCANYS.

Quatro aviões comerciais, com centenas de passageiros a bordo, foram sequestrados por um grupo de 19 terroristas no dia 11 de setembro de 2001 e foram direcionados para Nova Iorque e Washington.

Dois aviões, separados por 18 minutos, colidiram com as duas Torres Gémeas em Nova Iorque, provocando uma explosão de grandes dimensões e matando 2.753 pessoas.

A sede do Departamento de Defesa dos EUA, conhecida como Pentágono, em Washington também foi alvo de ataque com um avião, num acidente em que morreram, segundo o Museu 9/11, 184 pessoas.

Outras 40 pessoas morreram no acidente do quarto avião, que caiu em Shanksville, no Estado da Pensilvânia.

Em conjunto com os 19 terroristas responsáveis pelo atentado, o total de pessoas mortas naquele dia foi de 2.996.