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Associação em New Bedford impulsiona talentos portugueses

O empresário luso-americano de 80 anos James DeMello trabalha para garantir que os mais novos nos Estados Unidos possam ter uma educação de qualidade em português e saibam que existem muitas possibilidades para um bom futuro.

“Eu gosto de inventar coisas e gosto de brincar com coisas novas, gosto de ver o futuro”, diz James DeMello em entrevista à agência Lusa.

No centro da cidade de New Bedford, na costa leste dos Estados Unidos, onde 40% a 60% da população diz ser portuguesa ou lusodescendente, o DeMello International Center, criado em 2016, ostenta as cores da bandeira e o emblema português.

James DeMello, da terceira geração de uma família que emigrou para os Estados Unidos, é o proprietário do edifício que reúne instituições para benefício da comunidade em New Bedford, com prioridade à educação e formação de profissionais, mas também com organizações solidárias e negócios.

Nascido nos Estados Unidos, desde cedo aprendeu a falar português com os seus avós: “Os meus pais trabalhavam e eu ficava depois da escola com os meus avós e eles só falavam português. Não tinha outra hipótese, se eu queria comer, era preciso falar português”, diz, com uma boa risada a pontuar.

A missão do DeMello International Center, explica o fundador à Lusa, é “ajudar a cultura portuguesa aqui nos Estados Unidos e a comunidade” a expandir, para “ninguém perder o que trouxemos para aqui, para esta nação”.

O luso-americano lembra os pais serem “pobrezinhos” mas acentuarem a importância de seguir estudos: “só queriam que eu tivesse educação”, orgulha-se, acrescentando que teve “muita sorte em ter uma ‘scholarship’ (bolsa de estudos) para ir para a universidade”.

Depois dos estudos, o engenheiro químico trabalhou numa companhia produtora de bolas de golfe, da qual chegou a ser presidente. Em 1994 comprou a companhia e tornou-se proprietário, tendo, em 2000, vendido a empresa.

Nos seus 80 anos de vida, James DeMello passou por diversos cargos de relevo, como diretor do Museu da Baleação em New Bedford ou chefe do departamento económico da cidade e chegou a dirigir “sete fábricas de uma vez”, nos Estados Unidos, Portugal, Tailândia, Coreia do Sul e Japão.

É por isso que o DeMello International Center põe em primeiro lugar a educação, com a Discovery Language Academy a manter-se entre as escolas portuguesas mais modernas dos Estados Unidos, com uma academia profissional de cabeleireira também fundada por uma luso-americana e com muitas mais entidades e negócios unidos para “dar valor” ou “para ajudar” a comunidade.

Antigo diretor de um estabelecimento de ensino português nos EUA, James DeMello fundou o centro com a principal razão de unir as duas escolas portuguesas que existiam em New Bedford, uma do norte e uma do sul.

“Era melhor estar no centro para poder acomodar a comunidade toda” e assim é que DeMello escolheu o maior prédio do centro da cidade, “para ter mais vista e mais possibilidade de expandir o que a gente estava a fazer”.

No verão de 2016, a escola, que agora se chama Discovery Language Academy, começou com 40 alunos e agora tem cerca de 200.

Uma sala de realidade virtual dá aos alunos a visão de estarem em qualquer sítio do mundo: “podem ver Lisboa, podem entrar na China, podem entrar na Casa Branca nos Estados Unidos, podem ver o mundo inteiro daqui”.

“Para verem que o mundo é grande e que há mais possibilidades do que só onde estão, em casa, ou só aqui nesta comunidade”, destaca.

James DeMello declara que “muita gente tem estado a contribuir” para o funcionamento da escola, incluindo o Governo de Portugal, mas também entidades governativas locais e mais “gente à volta”.

O centro é benéfico para as entidades que aqui se encontram, sustenta James DeMello, porque chama mais pessoas interessadas e serve como um atrativo para se criarem mais oportunidades para os luso-americanos, mas também facilita o contacto e ajuda mútua entre as organizações e negócios inquilinos.

#portugalpositivo