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Arcebispo de Braga denuncia: há gente no Minho com fome

O arcebispo de Braga diz que “a crise não foi ultrapassada e que há gente no Minho com fome”, e critica a apatia da sociedade e mesmo das comunidades cristãs, perante uma situação que é preciso “denunciar”.

“Pensamos que a crise está ultrapassada, mas, não está tudo resolvido. Ainda há gente com fome no nosso Minho e que não tem uma habitação digna, nem água na sua casa”, salienta D. Jorge Ortiga, em entrevista ao Diário do Minho.

Neste Dia Mundial para a Erradicação da Pobreza, em que se ficou também a saber que pelo menos 2,4 milhões de portugueses vivem com dificuldades económicas, fica o repto deste responsável católico para a busca de “uma sociedade mais justa” e a necessidade da Igreja Católica, nas suas estruturas e comunidades, ser mais ativa na defesa da dignidade das pessoas.

“A hierarquia, mas, principalmente os leigos, contam com peritos em diversas áreas e que têm a obrigação de intervir”, salienta.

De acordo com o arcebispo minhoto, a situação no Distrito de Braga é tão complicada que “há pessoas que não têm sequer capacidade financeira para comprar óculos para poder ver ou para pagar medicamentos”.

Neste sentido, D. Jorge Ortiga apela aos católicos da região, no início deste ano pastoral, para que se afirmem como “comunidades acolhedoras e missionárias”, perante quem mais precisa.

Uma das grandes apostas para este ano, por parte da Arquidiocese de Braga, é a constituição de grupos ‘Semeadores de Esperança’.

“É bom que as paróquias e todos os interessados promovam estes grupos. Por exemplo, cada um pode, com os seus amigos, constituir esses grupos Semeadores de Esperança”, explica o arcebispo.

Na página online da Arquidiocese de Braga estão presentes vários apoios para a constituição e funcionamento destes grupos, nas várias paróquias.

“Cada paróquia tem a sua dinâmica e esses subsídios facilitam o trabalho das comunidades para tornarem as Eucaristias mais vivas, festivas e interpelativas”, assinala o mesmo responsável.

Nesta entrevista ao Diário do Minho, D. Jorge Ortiga faz também referência ao mundo do desporto, que abordou recentemente, através da publicação em junho da carta pastoral ‘Desporto: Escola e Missão de Humanidade’.

Para o prelado, o mundo do desporto, e de modo mais evidente o futebol, não pode continuar a estar envolto em “ruído” e polémica.

“O desporto saiu dos estádios e dos ginásios, e passou para a comunicação social pelas piores razões. Quem manda no desporto, hoje, são os comentadores e tudo é condicionado por isso, o que é terrível”, frisa D. Jorge Ortiga, para quem é fundamental afirmar a máxima de um “desporto para todos e todos pelo desporto”.