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Aquacultura e coronavírus no carnaval madeirense

O tradicional cortejo Trapalhão, ponto alto do dia de carnaval na Madeira, percorreu as avenidas marginais do Funchal, com os cerca de 800 participantes a exporem muita sátira social e política diante de milhares de espetadores.

As jaulas para a produção de peixe em aquacultura marinha, o novo coronavírus e o Serviço de Saúde da Madeira (Sesaram) foram alguns dos alvos preferenciais das críticas dos foliões, que espalharam muita cor, música, alegria, serpentinas e confetes ao longo das avenidas Sá Carneiro e do Mar.

“Gostei muito. Teve muitos mais participantes do que no ano passado e teve uma acesa crítica social e política, o que acho também salutar”, disse o presidente do Governo Regional, Miguel Albuquerque, que se encontrava entre os milhares de madeirenses e turistas que assistiram ao cortejo.

A crise no Sesaram, motivada pela demissão de vários diretores de serviço na sequência da nomeação do centrista Mário Pereira como diretor clínico, foi encenada por um grupo de foliões como se se tratasse de um funeral.

Por outro lado, as jaulas de aquacultura, bastante contestadas por alguns setores da sociedade madeirense, surgiram rodeadas de peixes que tinham o nome dos principais políticos regionais, sobretudo oriundos do governo de coligação PSD/CDS-PP.

Para reforçar a crítica, alguém imitava a voz do antigo presidente do governo regional Alberto João Jardim, a maldizer o atual executivo e a ameaçar regressar à política ativa para pôr tudo em ordem.

“Algumas críticas fazem sentido, outras não fazem”, disse Miguel Albuquerque, afirmando, no entanto, que nenhuma o incomodou. E, para que não ficassem dúvidas, reforçou: “Eu não tive nenhum dia na minha vida política, ao longo destes anos, que não fosse criticado. Portanto, não é nada de novo para mim.”

O presidente do governo realçou, por outro lado, que o cortejo Trapalhão continua a ser um “bom cartaz turístico”, porque espelha o ambiente tradicional do carnaval madeirense, caótico e pleno de sátira, bastante diferente do desfile do sábado anterior, inspirado no carnaval brasileiro.

“Este é o carnaval popular, tradicional. E estas características não podemos perder”, disse Miguel Albuquerque, vincando também a participação de casas do povo e centros comunitários.

“É uma oportunidade de as pessoas participarem e mostrarem as atividades que desenvolvem e está muito bem conseguido, esta mistura de crítica social, máscaras, atividades recreativas”, sublinhou.

O cortejo Trapalhão desfilou durante cerca de duas horas, após o que os foliões se dispersaram pela cidade, misturando-se com os milhares de pessoas que se deslocaram ao centro com o propósito de os ver passar.

No fim, um espetador desabafava: “É sempre a mesma palhaçada!”