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Bélgica

António Costa Moura: “Não fazia a mínima ideia de que esta iria ser a minha vida”

No terceiro episódio do BOM DIA Diplomacia, recebemos António Costa Moura, embaixador de Portugal na Bélgica. Uma conversa sobre diplomacia, Portugal e a Bélgica, mas também sobre experiências, escolhas, música, gastronomia e os caminhos inesperados que podem acabar por definir uma vida.

Natural do Porto, António Costa Moura assume que não é um diplomata predestinado: “não fazia a mínima ideia de que esta iria ser a minha vida”. “Licenciei-me em Direito e sou embaixador de Portugal; como poderia ser advogado, como poderia ser magistrado do Ministério Público ou Judicial, como poderia ser funcionário público noutro departamento do Estado”, acrescenta, realçando que, apesar do percurso inesperado, soma já 40 anos ao serviço do Estado, 35 dos quais na carreira diplomática.

Passou por Angola, pela NATO em Bruxelas, por Paris e pelos Estados Unidos, antes de regressar a Portugal para assumir o cargo de Secretário de Estado da Justiça. Seguiram-se as missões na Finlândia e em Moçambique, antes de regressar à Bélgica. Questionado sobre qual destes lugares mais o mudou como pessoa, considera ser “uma pergunta muito difícil de responder”, tantas são as experiências e os diferentes momentos de vida associados a cada uma delas.

Ao longo da conversa, revisita essas memórias, fala dos desafios enfrentados em cada etapa e partilha episódios que ajudam a perceber como essas experiências moldaram o diplomata e o homem que se tornou. Sobre Angola, por exemplo, onde assumiu, aos 29 anos, o seu primeiro posto diplomático, fala de uma experiência que o marcou profundamente e que considera ter sido “um grande desafio”. “Eu costumo dizer que o primeiro posto é como a primeira namorada: passou, mas nunca mais esquecemos. Foi uma experiência muito forte e intensa”, recorda.

Na sua atual missão na Bélgica, a relação com a comunidade portuguesa assume naturalmente um lugar de destaque. Convidado a defini-la em três palavras, António Costa Moura escolhe “heterogeneidade, exemplaridade na integração e dinamismo”. Trata-se de uma comunidade que, segundo o embaixador, se distingue pela capacidade de integração (reconhecida pelas próprias autoridades belgas) e pela forte participação na vida cultural e associativa. Para a embaixada, essa vitalidade é “um motivo de grande orgulho”. E há uma tendência que o diplomata destaca com particular satisfação: a comunidade portuguesa na Bélgica está a crescer e a rejuvenescer-se.

Mas uma carreira diplomática não se mede apenas pelo que se constrói profissionalmente. Há também um lado menos visível, feito de distâncias e sacrifícios. E, António Costa Moura não tem dúvidas sobre o maior deles: “A separação da família. Sou pai de três filhas. Isso sim, é violento e paga-se. Na infância, é complicado. A gestão dos afetos é complicada”.

Fora do trabalho, o diplomata valoriza particularmente os momentos que lhe permitem desligar da rotina. Gosta de ler, de ouvir e de tocar música (aprendeu a tocar piano e guitarra clássica ainda jovem). Assume-se fã de Rui Veloso, artista que considera “um génio e um daqueles casos que aparecem de século a século”.

Além disso, aprecia o contacto com a natureza. “Esta é uma vida muito sedentária; temos de passar horas e horas sentados e em reuniões e, por isso, para mim, qualquer contacto direto com um bosque ou com uma floresta torna o dia feliz”, revela.

E se a conversa sobre o tempo livre nos levou à música e à natureza, acabou inevitavelmente por chegar à mesa. Quando lhe perguntámos pelo prato português de que nunca se cansa, acabámos por descobrir qual é o que mais gosta de cozinhar: cabrito assado no forno, “à moda da minha saudosa mãe”, uma receita que considera simples e cujo segredo está no “tempo e carinho” com que se prepara.

Bons pratos combinam, naturalmente, com bons vinhos, outra das paixões do embaixador de Portugal na Bélgica: “Gosto imenso dos vinhos portugueses. Ando sempre acompanhado da minha garrafeira que não fica a dever nada a grandes garrafeiras”.

O episódio está disponível nas plataformas digitais do BOM DIA (YouTubeSpotify e Apple Podcasts).

Texto: Fabiana Bravo

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