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A desordem na saúde

O Bastonário da Ordem dos Médicos (OM), Miguel Guimarães, que deverá ser reeleito numa eleição a decorrer dia 16 de janeiro, diz que “se a saúde privada amanhã fechasse as portas estávamos todos tramados”.

Se na medicina pública, a convencionada fechasse, quase todos os contribuintes estavam muito menos tramados.

Desde que me conheço que acredito neste procedimento. Há muitos anos que faço este exercício. É a saúde convencionada, sobretudo, que lhes dá muita força e por isso têm mais força para gritar. De outro modo estaríam muito caladinhos.

Até porque “as seguradoras”, as novas opções contratuais que hoje, a soldo de diversas obrigatoriedades em dispares serviços no mercado, encastoadas em várias outros contratos, não eram suficientes para a medicina, saúde privada, sobreviver. E é que nem é concorrente à saúde estatal.

Antes: o SNS, (Serviço Nacional de Saúde) transfere-lhes muitos serviços convencionados e é aí a fonte inesgotável que quase todos os portuguêses financiam a medicina privada, que se tería de reinventar e nem isso seria a boia de salvação. A falência de muitas estruturas e infrastruturas era inevitável.

Infelizmente – ainda que continue a ser um exercício que venho experênciando, o SNS não tem interesse em munir-se de tecnologia, meios suplementares de diagnóstico, nem de simples análises de sangue, nas unidades de saúde locais. Se o fizesse poupava muito dinheiro e conferia melhor qualidade ao contribuinte e ao utente.

Nem tinha – tarefa quiçá difícil, mas também desnecessária – porque impraticável, em todos os centros de Saúde.

Assim como o utente tem que se dirigir a uma clínica, dirigir-se-ia à unidade de saúde da área, a mais eficaz.

Nem possibilitava embustes / logros como praticar ou prescrevendo tratamentos exorbitantes, assim como tratamentos que o utente nem faria, mas que o convencionado pode facturar.

Seria uma revolução – não só pela remoção de hábitos adquiridos, instalados e já instituídos. Seria enorme revolução no próprio SNS – nem que fosse implementado gradualmente.

Assim como serviços de oftalmologia e odonteologia que são senso comum termos que ir à privada. Ainda se está a dar os primeiros passos, mas com isso o serviço hospitalar encetaria uma prática pensada para além, essencialmente, das manhãs. E ainda reduzia os contingente hospitalar.

Quando a maioria das clínicas se instala é a pensar essensialmente no serviço público, o convencionado.

O médico que trabalha num privado não devia trabalhar no SNS. Chama-se exclusividade mas nem sería muito por isso – é pelos conflitos de interesses, e por ora, já não tanto, pelo logrosinho de o cruzar de um ou de outro lado. Do hospital para o privado e do privado para o público.

Enquanto não houver coragem – não vai haver a médio prazo – para principiar esta prática, o Estado pouparia um grande quinhão das despesas no SNS. Nem o paciente mais desfavorecido terá um tratamento razoável.

O português cada vez menos encontra uma resposta satisfatória nos serviços públicos, especialmente ao nível dos recursos humanos, porque o do “quadro” tem o empreguozinho garantidinho.
Por sua vez o “precário” sabe que a todo o momento vai para a rua, não se esmera.

E posso gantir, sem temer ser desmentido, que é a grande maioria. A pequena maioria, essa, é excepcional, tenho eu observado.

Há tempo, numa autarquia, a funcionária precisou de ligar à autarquia maior. Pese eu ouvisse e visse, a senhora explicou-me aquilo que eu penso há muitos anos. Na expressão da senhora: sempre que ligo para autarquia maior demoram a atender. Quando atendem ninguém sabe de nada, resolve nada.

Esta senhora, entre um acto altruísta, explicou-me que é prática corrente e que já verberou isso aos seus pares.

Deu-se, já se vê, a total coincidência da minha opinião, como digo há muitos anos.

Ainda que haja coincidências, a sua prática tem que ser reiterada, para acontecer diante de mim.

(Não pratico deliberadamente o chamado Acordo Ortográfico)