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Turismo do Norte pede aos novos líderes da TAP que não esqueçam região

© Lusa

O Turismo do Porto e do Norte disse esta quarta-feira, no Porto, que via com bons olhos a escolha da Lufthansa ou da AirFrance para a privatização da TAP, mas pediu que seja dado valor ao Aeroporto Sá Carneiro.

“Independentemente da escolha […] é importante que seja dado valor ao Aeroporto Sá Carneiro, que tem tido uma prestação fantástica. Há 35 anos era um aeroporto que recebia 400.000 movimentos de passageiros e fechou 2025 com 17 milhões”, destacou o presidente do Turismo do Porto e Norte de Portugal, Luís Pedro Martins, em declarações à Lusa.

Luís Pedro Martins explicou que o crescimento verificado neste aeroporto não se deve apenas ao turismo, mas também à carga, dado o peso da região Norte nas exportações nacionais.

Falando à margem da conferência “Turismo: É preciso mudar de rota?”, organizada pela agência Lusa e pela Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes (CVRVV), o responsável do Turismo do Porto e Norte disse ainda ser “muito importante” continuar o trabalho de expansão para mercados de longa distância, tal como tem acontecido nos últimos anos.

O Governo selecionou a Lufthansa para a privatização parcial da TAP, com uma proposta de 1.201 milhões de euros para até 49,9% do capital, prevendo concluir a operação até ao início de 2028.

A decisão, anunciada pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro, foi tomada em Conselho de Ministros, após a análise das propostas vinculativas finais melhoradas apresentadas pela Air France-KLM e pela Lufthansa, os dois grupos que chegaram à fase decisiva da privatização da companhia aérea portuguesa.

O Governo pretende manter Luís Rodrigues como presidente executivo da TAP e afasta uma cogestão com a Lufthansa antes da conclusão da privatização, prevista para 2028, afirmou hoje o ministro das Infraestruturas, Pinto Luz, também na conferência após o Conselho de Ministros.

Para Luís Pedro Martins, o facto de Luís Rodrigues continuar à frente da TAP é “uma excelente notícia”.

O presidente do Turismo do Porto e do Norte notou que, apesar da TAP não cumprir grande parte das promessas que fez perante a região, com Luís Rodrigues essa situação tem sido invertida.

“Via com bons olhos qualquer uma das empresas e vejo com bons olhos que Luís Rodrigues se mantenha. O que é importante é que se respeite o que é importante para região, para o Aeroporto [Sá Carneiro] e para o país”, insistiu.

A proposta da Lufthansa inclui um preço de referência de 1.025 milhões de euros por 44,9% da TAP, acrescido de 58 milhões de euros em ajustamentos temporais relacionados com a taxa de emissão de bilhetes (‘ticketing fee’), a SPdH (antiga Groundforce, empresa de assistência em terra) e a Cateringpor (serviços de refeições a bordo), além de 118 milhões relativos aos 5% reservados aos trabalhadores, elevando o encaixe potencial para 1.201 milhões de euros.

Já a Air France-KLM ofereceu 850 milhões de euros pelos 44,9% do capital, a que acrescem 86 milhões de euros em ajustamentos da mesma natureza e 102 milhões relativos à parcela reservada aos trabalhadores, totalizando 1.038 milhões de euros.

A proposta do grupo franco-neerlandês previa ainda um pagamento adicional de 100 milhões de euros, condicionado ao cumprimento de metas financeiras pela TAP em 2028, nomeadamente um resultado operacional (EBITDA) de pelo menos 1.036 milhões de euros e uma dívida financeira líquida não superior a 2.900 milhões.

A avaliação teve também em conta as propostas apresentadas pelos dois concorrentes para uma eventual segunda fase da privatização, condição pedida no caderno de encargos, que permitiria ao investidor selecionado adquirir a maioria do capital da companhia.

Nesse cenário, a Lufthansa apresentou uma proposta adicional de 1.351 milhões de euros pela aquisição dos restantes 50,1% da TAP, dos quais 863 milhões de euros seriam pagos em dinheiro e 488 milhões através de uma troca de ações.

Esta operação permitiria ao Estado português tornar-se o segundo maior acionista do grupo resultante da combinação da Lufthansa com a TAP, mantendo uma participação indireta na transportadora portuguesa.

Considerando as duas fases, a proposta implica uma valorização direta da TAP de 2.552 milhões de euros, superior às avaliações independentes apresentadas ao Governo.

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