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Sete países partilharam experiências sobre gestão florestal em Penafiel

Representantes de sete países europeus, hoje reunidos em Penafiel, partilharam experiências na área florestal, num encontro em que a Universidade de Lisboa (UL) defendeu a gestão agrupada da propriedade para aumentar o rendimento e prevenir os incêndios.

José Borges, do Centro de Estudos Florestais do Instituto Superior de Agronomia da UL, destacou, em declarações à Lusa, a importância da partilha de conhecimentos entre os diferentes parceiros do projeto europeu que agrupa instituições da Suécia, Alemanha, Holanda, Itália, Turquia, Eslováquia, para além de Portugal.

“Estamos a tirar partido desta informação e desta reunião de experiências e especializações”, comentou, aludindo à mesa redonda que hoje decorreu no auditório do Museu Municipal de Penafiel.

No nosso país, destacou também, o projeto europeu é liderado pelo Centro de Estudos Florestais do Instituto Superior de Agronomia, que tem como parceiro não académico a Associação Florestal do Vale do Sousa.

É com os produtores florestais daquela região do norte de Portugal que a instituição académica lisboeta está a trabalhar, há cerca de um ano, num estudo para “o desenvolvimento de instrumentos que apoiem o processo de decisão de planeamento e gestão florestal”.

O docente assinalou que o estudo pretende ajudar os produtores, não apenas na obtenção de rendibilidade económica, mas também na “oferta de serviços de proteção e regulação dos problemas dos incêndios e biodiversidade”.

“A perspetiva aqui em Portugal, com o nosso parceiro não académico, que é a Associação Florestal do Vale do Sousa, é desenvolvermos instrumentos que encorajem a gestão agrupada da propriedade”, reforçou.

O estudo em curso abrange 380 proprietários florestais e uma área de 14.000 hectares.

Sobre o trabalho que está a ser realizado, o responsável acrescentou: “Nós sabemos que a gestão florestal ativa é muito importante para garantir uma proteção, a conservação e as funções de produção. Mas, para que essa gestão agrupada se possa fazer, nós precisamos de instrumentos que permitam aos proprietários perceber qual o impacto das opções de gestão sobre os resultados, não apenas económicos, mas de resistência da paisagem contra a propagação do incêndio e sequestro de carbono”.

José Borges indicou depois que o objetivo é “desenvolver esses instrumentos, fazer investigação e, ao mesmo tempo, transferir esses conhecimentos para que os proprietários possam utilizar, de forma interessante e útil, na prática, no planeamento e na gestão das suas propriedades florestais”.

Os parceiros internacionais e nacionais visitaram hoje áreas que são geridas no âmbito da Zona de Intervenção Florestal de Entre Douro e Sousa, que agrupa explorações de pequenos proprietários, de fundos de investimento e também da indústria.

Em outubro, num ‘workshop’ em Lisboa, adiantou o docente, será demonstrada a “utilização desses instrumentos para um planeamento agrupado e à escala da paisagem”.

“Vamos considerar, não apenas os modelos de gestão que estão a ser utilizados, mas também alternativas, por exemplo, a utilização de outras espécies que foram consideradas interessantes pelos parceiros, como a utilização do sobreiro em algumas áreas, do castanheiro e do carvalho”, explicou.

A necessidade de “compartimentação da paisagem para garantir uma distribuição mais equilibrada e regular de rendimentos e que se garanta uma paisagem mais resiliente ao fogo” poderá ser, previu, outro instrumento a ter em conta na região e que poderá ser replicado noutras zonas do país.