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Opinião

Obviamente, censure-se

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Perante incomparavelmente menos, dizia-se à Esquerda, em 2015, que o governo de Direita não podia refugiar-se na meteorologia. Hoje, com António Costa primeiro-ministro, é tudo meteorologia. Não é normal. Houve condições climatéricas singulares, ações criminosas e negligentes. Mas isso não invalida o resto. O Estado dispõe de recursos tecnológicos, logísticos e financeiros que fazem toda a diferença. Preveem-se alterações meteorológicas com semanas de antecedência. Existem satélites. Quando tanto falhou, não podem morrer mais de 100 pessoas sem que se assumam responsabilidades, que depois da recusa de dois pedidos de demissão da MAI e da prorrogação de uma estratégia errada, são necessariamente do primeiro-ministro.

É grotesco que em pleno mês de agosto, apesar de Pedrógão, António Costa tenha tweetado “trabalhamos agora para prevenir as cheias do inverno”.

É imperdoável que o Governo tenha retirado do terreno meios vitais, não prolongando a Fase Charlie de alerta para incêndios.

É inacreditável que comboios tenham circulado entre labaredas e condutores em pânico nas autoestradas, muitas vezes em contramão, as vias mais vigiadas, pejadas de câmaras, com assistência contratada, onde qualquer prevaricação se sinaliza e autua, por não ter havido quem as encerrasse.

É inqualificável que perante a impotência do povo humilde e sacrificado, que combateu fogos devastadores com enxadas, mangueiras exíguas e até sem água, mesmo assim perdendo tudo, um secretário de Estado tenha dito que “não podemos ficar todos à espera que apareçam os nossos bombeiros e aviões para nos resolver o problema”.

É incompreensível que só anteontem, depois de consumada a segunda tragédia em quatro meses e não antes, apesar de avisos de riscos de incêndio, António Costa tenha decidido reforçar os meios aéreos até ao fim de outubro.

É revelador que o MAI de um Governo Sócrates, António Costa tenha gasto milhões na compra de helicópteros russos obsoletos que não saem do chão por avaria e num SIRESP com redução de funcionalidades que falha e ninguém peça contas.

É escandaloso que desde 5 de outubro, Portugal disponha de menos 29 meios aéreos, porque o MAI não relevou o fim dos contratos para sua utilização.

Em agosto, o ministro Capoulas dos Santos garantiu que “o Governo fez a maior revolução que a floresta conheceu desde os tempos de D. Dinis”. Tem toda a razão. Sete séculos depois de criado pelo Rei Lavrador, o Pinhal de Leiria foi destruído às mãos do Estado que não trata do que é seu, mas ameaça apropriar-se dos terrenos dos outros que não sejam limpos. Surreal.