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Contas à moda do PS

© Pixabay

No SNS gere-se o caos. Faltam médicos, enfermeiros e técnicos de saúde. Há menos camas disponíveis, encerram-se serviços, aumentam as listas de espera para consultas, tratamentos, intervenções cirúrgicas e acumulam-se as dívidas aos fornecedores. Mesmo assim, confrontado com a realidade, António Costa argumenta que foram contratados mais profissionais de saúde. Puro cinismo e reserva mental.

O Estado terá contratado mais pessoas. Acontece que saíram outras. E o que é evidente é que as contratações feitas são insuficientes para compensar as reduções dos horários de trabalho para as 35 horas semanais. Acrescem novos salários, somados a mais trabalho suplementar. Ao SNS só valem os extraordinários médicos, enfermeiros e técnicos de saúde, que mesmo mal pagos, conseguem milagres todos os dias, enquanto um Governo que nunca fez contas, agora diz: “não há dinheiro”.

Se o primeiro-ministro quiser ter a maçada de consultar os dados disponíveis no site do SNS, perceberá que considerada a variação dos números dos diferentes profissionais de saúde desde 2015, até 2018, a par da redução do tempo de trabalho para as 35 horas desde julho de 2016, generalizada a partir de julho de 2018, realmente se perderam muitos milhares de horas de prestação de cuidados de saúde, todas as semanas. Daí o triste estado do SNS. É que não há milagres. Só contabilidade criativa do Governo. O resto é conversa.

Seria bom que António Costa pensasse nisso, de cada vez que se publicam notícias acerca do encerramento de unidades e serviços fundamentais para que as pessoas possam ser assistidas e tratadas. É a diferença entre viver, ou morrer. Tudo o que não se resolve com discursos redondos e proclamações de conveniência na Assembleia da República, acerca da importância do SNS para o PS. Nunca o SNS foi tão mal tratado. E quem governa é o PS.

Reduzir horários de trabalho, mesmo que justos, ou justificáveis, a pensar nas próximas eleições, é muito fácil. Difícil é garantir que depois se poderá contratar quem fica a faltar. É que o dinheiro não sobra.

De cada vez que o PS governa, o princípio é o mesmo; prometer e gastar. Como é que se paga? A Direita paga. Foi sempre assim. A Direita paga, porque só é chamada ao poder quando o eleitorado se assusta com a consequência do estado calamitoso das finanças públicas. Paga também mais tarde nas urnas e perde eleições, porque fazer contas para honrar as dívidas do PS é bem mais impopular do que ser simpático a desbaratar o dinheiro dos contribuintes.