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Bispos alemães revelam 3.677 casos de abusos sexuais desde a Segunda Guerra

A Conferência Episcopal Alemã divulgou um relatório que fala em 3677 situações de abusos sexuais, nas dioceses do país, entre 1946 e 2014, assumindo a necessidade de combater este crime.

“O abuso sexual é um crime, quem for culpado tem de ser punido. Durante demasiado tempo, na Igreja, negou-se o abuso, viramos a cara para o lado e escondeu-se. Peço perdão por todos os falhanços e por toda a dor”, disse o cardeal Reinhard Marx, presidente do organismo episcopal, em conferência de imprensa.

O responsável falou em confiança “destruída” por estes crimes e em “vergonha” pela sua ocultação, por parte de pessoas que “não pensaram nas vítimas”.

“Não soubemos escutar as vítimas: isto não deve permanecer sem consequências, as vítimas têm direito à justiça”, acrescentou o cardeal.

Os dados foram apresentados aos membros da Conferência Episcopal germânica, na sua assembleia plenária.

O documento tem como título ‘Abuso sexual de menores por parte de sacerdotes católicos, diáconos e religiosos masculinos, no âmbito da Conferência Episcopal Alemã”.

Segundo o relatório, 62,8% das vítimas eram do século masculino, mas sublinha que “nem a homossexualidade nem o celibato são, por si só, causas do abuso sexual de menores”.

“A este respeito, estruturas e regras específicas da Igreja Católica poderiam ter um elevado potencial de atração para pessoas imaturas com tendências homossexuais”, advertem os responsáveis pela investigação, resultado de um trabalho de quatro anos, com a participação das 27 dioceses da Alemanha.

A Conferência Episcopal promove desde 2010 um conjunto de medidas que têm em vista “as vítimas”, evitando novos casos.

D. Stephan Ackermann, comissário para as questões dos abusos sexuais na Igreja na Alemanha, citado pelo portal de notícias do Vaticano, sublinhou que o objetivo é obter “maior coerência e maior coordenação recíproca” entre dioceses, promovendo uma “cultura eclesial e estruturas que ajudem a prevenir eficazmente o abuso de poder”.